Mês de Janeiro negro para a música: depois de Pierre Boulez, morre David Bowie

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foto mixme.com.br

É uma triste notícia que está a dominar os notíciários internacionais. O cantor David Bowie, que ainda há três dias lançou, aos 69 anos, um novo álbum, intitulado ‘Blackstar’ e elogiado pela crítica, morreu na sequência de uma batalha de meses com o cancro, revelou o seu filho, o realizados Duncan Jones.

“David Bowie morreu hoje tranquilamente, rodeado pela sua família e após uma corajosa batalha de 18 meses com o cancro”, revela um comunicado divulgado à comunicação social.

‘Blackstar’ foi o álbum lançado na sexta-feira passada, no aniversário de Bowie, incluindo sete canções, e desde logo mereceu elogios pela qualidade das composições.

David Bowie foi um autêntico camaleão da música, que influenciou gerações e que se soube reinventar a si próprio ao longo de décadas. O seu primeiro verdadeiro sucesso surgiu em 1972, com ‘The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars’.

De seu verdadeiro nome David Jones, filho de uma empregada de mesa e de um proprietário de clube nocturno, o cantor foi também produtor, inclusive de nomes tão sonantes como Lou Reed. Encarnou musicalmente vários personagens fictícios, quais heterónimos, como Ziggy Stardust, Aladdin Sane, Thin White Duke.

David Bowie teve ainda curiosas facetas de actor, no palco e no grande écran, interpretando peças ou filmes tão emblemáticos como ‘O Homem Elefante’, na Broadway nos anos 80, ou o notável filme ‘Merry Christmas Mr. Lawrence’.

Também participou no último filme de Marlene Dietrich, ‘Just a Gigolo’, em 1978, e interpretou Pôncio Pilates na adaptação da polémica obra de Nikos Kanzatzakis ao cinema, ‘A Última Tentação de Cristo’, em 1988.

Desde meados dos anos 60 que desenvolveu uma multifacetada carreira musical. Nasceu em 1947 em Londres. Foi amigo de infância do guitarrista Peter Frampton. Estudou saxofone mas foi como cantor que acabou por notabilizar-se.

O álbum ‘Space Oddity’ foi utilizado pela BBC como banda sonora durante a sua cobertura da missão Apolo 11 (a primeira vez que o ser humano caminhou na Lua). Mas outras músicas suas são igualmente inesquecíveis, como ‘Dancin’ in the Street’, ‘China Girl’ ou ‘Let’s Dance’.

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Pierre Boulez

A morte de David Bowie, um ícone da música popular, segue-se à do compositor e maestro Pierre Boulez, outra grande perda para o mundo da música, desta feita na área da música erudita, que faleceu no passado dia 5 de Janeiro, em Baden Baden, Alemanha.

Nome grande da música dodecafónica e atonal, Boulez representou um papel fundamental na cultura do século XX, sendo na realidade um dos líderes filosóficos do movimento pós-guerra, que procurava maior abstracção e experimentalismo nas artes. Foi, sem dúvida, um dos nomes grandes da música moderna.

Enquanto director de orquestra, Pierre Boulez foi absolutamente notável, dirigindo muitas importantes orquestras mundiais com enorme clareza e precisão, além de fidelidade às intenções do compositor.

Tal como Bowie numa área diferente da música, a perda de Boulez é irreparável.

A Cultura musical perdeu, assim, dois grandes nomes em rápida sucessão neste mês de Janeiro de 2016.


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