“Pode ser coisa vantajosa / Heranças ter mui valiosas / Legadas pelos nossos pais; / Mas para os jovens geralmente / O zelo, o esforço consciente / Do que as heranças valem mais”.
in Contos de Clássicos de Bolso, Lisboa, Editorial Estampa, 1977.
Um velho moleiro distribui os seus únicos bens, um moinho, um burro e um gato, pelos seus três filhos. João, o filho mais novo recebe o gato. Desiludido, pensando que este não lhe serviria de nada, logo se apercebe que o gato, para além de falar, é esperto e um amigo fiel que lhe trará grandes alegrias.

Esta é a sinopse da conhecida obra do escritor e poeta francês do séc. XVII, Charles Perrault. ‘O Gato das Botas’ regressa ao palco até 30 de janeiro, no Cine Teatro de Santo António, numa produção especial do Teatro Experimental do Funchal (TEF), grupo que acaba de celebrar os seus 40 anos de existência.
A peça, a 137ª a ser produzida pelo TEF, baseia-se na obra do escritor francês numa adaptação de Maria Clara Machado e Pascal Hérold, e estreou a 28 de novembro último.
Destinada essencialmente ao público infanto-juvenil, recria muito do imaginário de Charles Perrault, sem deixar contudo de reinventar-se através do olhar de Eduardo Luíz, o encenador madeirense. “Após ter lido vários autores, que durante os tempos foram contando de diversas formas ‘O Gato das Botas’, apresento agora à minha maneira esta história. Assim, dou a conhecer o Cavaleiro Pepeu, que por ter maltratado o gato de uma fada, foi castigado com um feitiço, que o transformou em gato. Ao ajudar o João Pedro, o rapaz da nossa história, pôde finalmente ser livre e feliz”, desvenda o também diretor artístico do TEF.
Para Eduardo Luíz, a peça vem ainda assinalar um marco importante nas quatro décadas de vida da instituição e homenagear todos os que contribuíram para tornar o projeto na referência cultural que é hoje, com especial destaque para duas colaboradoras de longa data. “Ao completar os 40 anos do TEF, não posso deixar de dedicar este espetáculo para a infância e juventude a duas sócias e atrizes que há quase 30 anos têm estado presentes nos bastidores e no palco desta companhia nos seus mais diversos papéis: Magda Paixão e Ana Graça.”
Especificamente direcionado às escolas, ‘O Gato da Botas’ estará em cena no Cine Teatro de Santo António, de terça a sexta-feira, com sessão às 09h30. Às quartas e sextas-feiras, haverá ainda uma segunda sessão, às 15h30 e 11h15, respetivamente. Para estes espetáculos, deverá ser feita marcação prévia, tendo o bilhete escolar um custo de €2,80.
Ao sábado, o espetáculo acontece às 18h00 para o público em geral. Jovens até os 18 anos, estudantes e maiores de 65 anos pagam €5,00.
Para além dos atores que constituem o elenco base do TEF, a peça conta ainda com a representação de um jovem estagiário do Instituto de Emprego da Madeira e de formandos do 3º Ano do Curso Profissional de Artes do Espetáculo-Interpretação do Conservatório-escola das Artes, em regime de formação em contexto de trabalho. A figuração está a cargo dos formandos dos 1º e 2º Anos do Curso Profissional de Artes do Espetáculo-Interpretação.
40 anos, 137 espetáculos
O TEF iniciou a sua atividade como Associação Experimental do Funchal em 1975, nos serviços culturais da Câmara Municipal do Funchal, denominada na altura como Grupo Experimental de Teatro do Funchal (GEFT), por iniciativa do então Chefe de Serviços da Comissão de Atividades Culturais do TMBD, Fernando Nascimento. Em 2006, passou a Associação Cultural sem fins lucrativos e, um ano mais tarde, foi-lhe atribuído o estatuto de Utilidade Pública de Pessoa Coletiva.
Desde a sua formação já produziu 137 espetáculos para crianças, jovens e adultos, assinados por vários autores estrangeiros, portugueses, alguns dos quais madeirenses. Do seu historial constam algumas gravações para a RTP-Madeira: Teatroscópio, o Papão e o Sonho, História para um Tesouro de Natal, A Ilha de Arguim, Lianor nos País sem Pilhas, Caminhos em Lama.
O TEF orientou doze cursos de formação de artistas de teatro para o seu Gabinete Artístico, promoveu várias oficinas de formação, para artistas e para a comunidade (crianças, jovens e adultos) em diversas áreas do teatro.
Pela direção artística passaram, desde 1975, Roberto Merino, Fernando Heitor, Élvio Camacho e, atualmente, Eduardo Luíz, agraciado, em 1993, com o prémio Miguel Torga, na categoria de “Mérito ao Teatro Amador”, no Teatro da Trindade, juntamente com Joaquim Benite e Carlos Oliveira.
A assinalar os 40 anos de vida do TEF, encontra-se patente ao público, até 9 de fevereiro, uma exposição no salão nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias.
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