Para o Natal o essencial e o melhor presente

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Vamos ao essencial. Nesta barafunda das compras e das muitas tarefas que todos reservam para este tempo, onde estará a felicidade? – As pessoas todas procuram coisas, muitas coisas em vez de procurarem o essencial para a vida. Para nós o essencial da vida é a felicidade. Por isso, nesta hora que se fala tanto de Natal e de tudo o que isso envolve, o essencial é que nasce Jesus e por Ele vem a felicidade para todos.

Assim, para mais este Natal medito no seguinte texto de Pedrosa Ferreira: «Há alguns anos, caminhando pelas ruas de Genebra nos dias de Natal, reparei num cartaz publicitário que chamou a minha atenção. Era um anúncio que destoava no meio de todos os outros cartazes que anunciavam o último modelo de automóveis, uma marca de chocolates, brinquedos da moda. Nesse cartaz estavam escritas apenas algumas palavras a vermelho: ‘Christ est le meilleur cadeau’ (Cristo é o melhor presente)». O anúncio estava assinado pelas Igrejas protestantes da Suíça, e queria recordar a toda a gente, precisamente nos dias em que se celebrava a vinda de Deus ao mundo, que não se esquecessem do maior presente que Deus nos fez. Jesus é para toda a humanidade a melhor oferta, o melhor presente.

O Natal do Menino Deus, para muita gente é apenas isso que está à vista de todos: muitas iguarias sobre a mesa, lindas músicas, muita luz nas ruas e nas casas, muitas compras desnecessárias, palavras lindas sobre o que se devia fazer, mas que nunca se faz porque nunca há tempo ou simplesmente não há aptidão para pôr em prática. Este modo de viver numa quadra tão densa e tão importante da vida não diz do essencial que se deve buscar.

Muitos ainda pensam que encontram a felicidade na azáfama do dia a dia e que nas muitas compras que realizam está o melhor para o sentido da vida. O Natal só será uma celebração verdadeira para quem encontra espaço e tempo para meditar neste mistério: Deus amor infinito faz-se um de nós para salvar a todos. O Menino Deus é o presente de Deus a todos nós. Muita gente não faz esta descoberta nem muito menos pensa que ela seja necessária.

O mundo que nós vivemos converteu-se num materialismo muito forte, daí que a distância entre pobres e ricos se acentue cada vez mais. Porque a ganância comanda a vida e fabrica desigualdade, pobreza e injustiça. As pessoas não estão voltadas para pensar nas coisas do interior. Pouco ou nada do mundo actual oferece condições para fazer parar as pessoas para que pensem nos valores do amor, da paz e da solidariedade. Esta verdadeira riqueza não faz parte da prática concreta da vida. Parece que bastam algumas esmolas esporádicas. Daí o sofrimento e a morte com focos de violência cada vez mais surpreendentemente bárbara.

Muitas vezes, não sei se penso bem ou se penso mal, mas penso que a sociedade actual tem prazer em criar formas de escravidão. Porque são incontáveis os doentes desamparados, os idosos mergulhados na solidão, as vítimas do álcool e as vítimas das inúmeras formas de estupefacientes (toxicodependência), as vítimas da perversão sexual que nos rodeia, as vítimas do materialismo e do hedonismo viciante que a sociedade inventou, para que dessa forma faça prevalecer o radicalismo do poder que gera dominadores (poucos) e uma multidão enorme de dominados. Tudo consequências da alienação geral que este mundo oferece, para que à sua volta estejam muitos dependentes que facilmente abdicam da sua vontade própria e da sua liberdade.

A loucura geral que nos rodeia tem a ver com este mundo que pouco ou nada se importa com a felicidade. O que conta é a satisfação do prazer imediato e que as emoções estejam logo saciadas. Por isso, não vemos as pessoas a pensar no nascimento de alguém ou de alguma realidade que seja nova, onde brilhe a paz e a justiça para sempre. O nascimento de vida nova, representada por um Deus que nasce no estábulo, não encontra acolhimento suficiente, aliás, serve apenas de pretexto para muita festa e para toda a exterioridade que este tempo convida. Embora seja importante, mas não chega. Relembro o essencial e o melhor presente.

Porém, eis o Natal. Apesar de tudo e do tanto, devemos desejar que alguma coisa depois seja diferente. Por isso, pedimos força interior para recusar tudo o que seja contrário à felicidade e à verdade da dignidade que pretendemos acolher como tesouros essenciais para o sentido da vida. Só a Pessoa deste Deus que nasce no coração de cada pessoa, pode revelar o caminho certo que nos leva a essa verdadeira escolha. Não tenhamos medo nem muito menos vergonha de assumir e afirmar essa oferta. Feliz Natal para todos.