Albuquerque engarrafado

miguel albuquerque águaA recente deslocação de Miguel Albuquerque à África do Sul começa a ser comentada e poderá mesmo ser um dos daqueles assuntos que lhe vá dar água pelas barbas.
Em pouco mais de sete meses na presidência do Governo Regional esta é a terceira deslocação do chefe do Executivo ao estrangeiro, pouco tempo depois da visita à Venezuela e a Miami.
Sede por novos desafios ou fastio pela pequenez cá do burgo? A oposição já anunciou que vai pedir explicações sobre custos/benefícios, prometendo aquecer o ambiente político nos próximos tempos.
Antevendo o melindre da questão, alguns emigrantes quiseram talvez deitar água na fervura. Vai daí receberam o Presidente, num dos muitos almoços destes dias, com garrafas de água de rótulo personalizado.
O gesto foi bem aceite por Miguel Albuquerque, que não terá deixado de agradecer a associação da sua imagem à pureza do precioso líquido.
Mas há sempre um desmancha-prazeres que ao Estepilha deixa outra explicação: “Clarinho, clarinho, que se o sr. Presidente der em imitar outros chefes, na mania de esbanjar, vai mesmo meter água”.
E recordam as viagens de Soares e Jardim, que mesmo em tempos de fartura muita tinta fizeram correr sobre as despesas e as reais vantagens de tais deslocações “à marajá”.

Quem não se lembra das visitas oficiais e de Estado do antigo Presidente da República pelos quatro cantos do mundo? Ao todo, foram 48 deslocações, ao longo dos dois mandatos, entre 1986 e 1996, fazendo de Soares o “mais viajado” de todos os Chefes de Estado da democracia.

O anterior presidente do Governo Regional da Madeira também registou um rol interessante de deslocações durante os seus 40 anos de governação. Rebentava em 2008 a crise financeira mundial e Jardim, nesse mesmo ano, deixava os adversários de cabelos em pé com os 500 mil euros gastos em viagens classificadas de “secretas”.

Mas porque águas passadas não movem moinhos, esperam todos que a novel equipa de Albuquerque marque pela diferença, respeitando o sacrifício que ainda estrangula os madeirenses, fruto de Troikas e PAEFs, e cujos efeitos secundários a médio e longo prazo estão por aferir. Assim sendo, o Estepilha também arrisca e aconselha a que não vão com muita sede ao pote.


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