
Olga Gouveia é a coordenadora da nova agência do Banco do Tempo que está em fase de abertura em Santa Cecília, Câmara de Lobos. É uma experiência inédita que procura instituir uma organização que visa dar tempo aos outros num trabalho contínuo e efetivo de voluntariado, a exemplo do que já acontece no Liceu Jaime Moniz, há mais de 10 anos.

Isabel Cardoso, também uma das grandes dinamizadoras do projeto, esclareceu o FN dos seus propósitos.
Funchal Notícias – Quais as razões que justificam abrir o Banco do Tempo em Santa Cecília?
Isabel Cardoso – Abrir uma agência do BT em Santa Cecília corresponde à aspiração de alargar, na Madeira, o âmbito deste projeto. Acreditamos que há boas condições para desenvolver o projeto aqui em Câmara de Lobos até porque dispomos do essencial: reunião de vontades para cumprir os objectivos que o BT propõe.
FN – Qual é o vosso projeto de ação?
IC – Ultrapassamos, com este primeiro momento da formação inicial, a fase embrionária, mas ainda tempos um longo caminho para percorrer.Para já queremos dar a conhecer o projeto, recrutar membros, abrir a porta e começar a trocar tempo. Para já estamos a fazer a divulgação junto das pessoas da paróquia e a preparar o arranque formal do Banco de Tempo – Santa Cecília em Janeiro.

FN – Com quem contam?
IC – Contamos com a parceria indispensável do Graal que é a entidade responsável pelos Bancos de Tempo em todo o país e com o apoio da paróquia e do centro social que nos acolheram. O suporte, desde a primeira hora, dado pelo Banco de Tempo – Jaime Moniz foi fundamental para darmos todos os passos até aqui. Devemos destacar que à medida que avançávamos, ao longo destes últimos meses, muitas foram as portas que se abriram quando pedimos ajuda e essa circunstância foi muito gratificante, nomeadamente, a recetividade e participação na formação de diversas entidades ligadas a atividades sociais e da própria câmara municipal de Câmara de Lobos.
FN – Onde vão funcionar?
IC – Iremos funcionar a partir das instalações cedidas pela paróquia de Santa Cecília em Câmara de Lobos.
FN – Qual a importância de uma organização destas nos dias de hoje?
IC – Trocar tempo, dar o melhor de nós, receber o que os outros têm para oferecer é, hoje mais do que nunca, uma forma diferente de estar e ser numa sociedade que quis, infelizmente, construir os seus alicerces no valor material, na compra, na venda e no ter. É uma forma diferente e revolucionária, como tão bem salientou a Eliana Madeira do Graal que foi uma das nossas oradoras, de fazer voluntariado. Quebra a relação vertical de dar e servir porque obriga a receber também. Há um conceito novo de relação fundamentada sobre os dons e talentos de cada um, sobre o ser e não o ter. Rompe com um certo assistencialismo e convida à pedagógica relação solidária de dar e receber.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




