Cais Norte abranda no ritmo e atrasa-se na conclusão das obras

cais norte porto funchalRui Marote (Texto e Fotos)

As obras que decorrem no Cais Norte do Porto do Funchal avançam a um ritmo mais moderado e tudo indica que não ficarão concluídas até ao final deste ano.

A chegada do outono e a ocorrência de condições meteorológicas e de ondulação adversas condicionam o andamento das operações, fazendo atrasar a conclusão das obras.

Trata-se essencialmente de uma obra de alargamento com a colocação de colunas cilíndricas em todo o comprimento da estrutura. Realizada maioritariamente em zona marítima implica grande complexidade técnica. Exemplo desta intervenção altamente especializada e demorada é o facto de o assentamento da referidas colunas exigir a presença de três mergulhadores e de grande parte dos módulos serem pré-fabricados no local. A sua montagem e estabilização no fundo marinho assume-se assim um trabalho nada fácil, aquele que está a ser realizado pela empresa Etermar.

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A estrutura portuária representa uma mais-valia para a cidade, em termos de turismo de cruzeiro, pelo que os atrasos na conclusão dos trabalhos representam uma preocupação para as autoridades do sector, sobretudo nesta época de grande tráfego e de fim de ano, altura em que tradicionalmente a Região recebe milhares de turistas a bordo dos navios de cruzeiro, cada vez maiores em termos de tonelagem e de envergadura.

Até ao início das obras, este ano, o Cais Norte era já utilizado para a atracagem sobretudo dos barcos ‘Aida’, libertando espaço no molhe da Pontinha.

Autênticas cidades flutuantes, é ver como ‘Britannia’ e o ‘Anthem of the Seas’ ocupam quase por completo a velhinha Pontinha, registando por assim dizer, em matéria de ocupação, uma situação de overbooking.

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De maneira a contornar as limitações e a ganhar maior capacidade de acostagem, a Administração Regional de Portos tem vindo a utilizar o novo Cais 8, mas as manobras estão fortemente condicionadas às condições atmosféricas e à ondulação.

Algumas destas obras já deveriam ter iniciado mais cedo, mas a burocracia que envolve os concursos públicos, com cadernos de encargos, adjudicações e vistos pelo Tribunal de Contas, tem um calendário próprio que não coincide com o das marés.

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Perante este cenário de comprovada limitação do Porto para receber os grandes navios damos por nós a pensar que ainda voltamos aos tempos dos antigos fenícios ou então aos primórdios da navegação na baía do Funchal, em que os barcos ficavam fundeados com o transbordo a ser efetuado por baleeiras para o cais da cidade. A maioria das lanchas já não existe, mas a memória guarda nomes como ‘Gaivota’, ‘D. Carmina’, ‘D. Lúcia’ e ‘Mosquito’, este último exemplar em exposição na zona do Campo Almirante Reis.