BE denuncia ‘chantagem’ da “privatização do mar”

bloco de esquerda

O Bloco de Esquerda deslocou-se hoje ao Caniçal numa acção de campanha, destinada a denunciar a intenção do governo de “privatização do mar”. Conforme disse o candidato Paulino Ascensão aos jornalistas, o Governo Regional anunciou a intenção de criar um plano de ordenamento do mar, que pretende definir áreas onde será permitido pescar e outras em que não o será.

Para o BE, esta notícia “traz água no bico”, porque no ano passado foi aprovada a Lei de Bases do Ambiente, que permite precisamente a privatização do mar, através de contratos de concessão até 50 anos. Ora, o BE entende que o mar é de todos, e é assim que deve permanecer.

“Não faz sentido haver restrições à actividade pesqueira, a não ser por motivos de ordem ambiental, para não pôr em causa a própria actividade económica da pesca”, sublinhou Paulino Ascensão.

Para este candidato, os portugueses são continuamente bombardeados com a necessidade de privatizar, de “desmantelar o estado”, porque isso é que favorece a actividade económica. Ora, a experiência, diz, tem demonstrado que a privatização das actividades tem levado é a mais desemprego, precisamente ao contrário do que a propaganda oficial tem sugerido.

Depois de de se ter privatizado tudo, passando as principais actividades económicas para a mão de grupos estrangeiros, para que os lucros saiam do país, agora “quer-se privatizar o mar, a água”, o que o Bloco considera inaceitável e promete bater-se com toda a energia.

O Bloco entende que os portugueses estão a ser sujeitos a uma política de chantagem, com a conversa recorrente de que é necessário privatizar isto e aquilo, senão será muito pior. Mas a verdade é que a experiência tem mostrado o contrário, asseveram.

A população de Machico e do Caniçal sabem bem o que é esse exercer chantagem, disse Paulino, quando o município foi governado por uma força política que não a do PSD. “A pretexto da dívida, Jardim esmagou a Cãmara Municipal de Machico”.

Agora, disse, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, e foi Miguel Albuquerque e seu amigo Passos Coelho que, a pretexto da dívida, esmagaram Jardim com o mesmo pretexto. E é esta mesma lógica da chantagem, de exibição de força, que se observou recentemente no âmbito da União Europeia, quando o governo grego de Tsipras “foi completamente esmagado”.

Este episódio, diz, serviu também para mostrar como o PS escolhe entre apoiar a alta finança ou um governo que efectivamente quer defender o seu povo: como “todos os socialistas europeus”, o PS português colou-se à chantagem para esmagar um governo que queria defender o seu povo.

“Se querem ter uma força para defender os direitos de quem trabalha, essa força só pode ser o Bloco de Esquerda”, concluiu Paulino Ascensão, dirigindo-se aos eleitores.