
A atleta australiana medalhada com ouro na modalidade de remo, no evento mundial “Dragon Boat Race Championships, que decorreu no Canadá, é luso-descendente e está a passar férias na Madeira. Os pais são naturais de Machico e, após a representação da seleção australiana, que culminou com o ouro para a sua equipa, as férias merecidas na terra natal da família Sousa.
Apesar da juventude, Kayla-Rose de Sousa tem já no seu palmarés uma medalha de ouro, quatro de prata e uma de bronze. O sonho é ir cada vez mais longe porque o remo é “uma paixão” e, conforme revela em entrevista a este jornal on line, o segredo da vitória está na “persistência, determinação, concentração e acreditar que querer é poder”.

Kayla-Rose de Sousa tem 17 anos de idade e uma determinação e espírito de sacrifício tremendos. Reside em Sidney e veio visitar os avós na companhia do pai, natural de Machico, Jamie de Sousa, um empresário ligado à construção, bem sucedido em Sidney. A mãe, Sandra de Sousa, natural do Poço do Gil, é uma gestora de uma empresa de contabilidade, e a família completa-se com o irmão mais novo, Dion-James de Sousa, também a mostrar grande habilidade no criquete. Todos acompanhados do primo e grande amigo da família Luís Paixão, professor e escultor conhecido de Machico.
Além do desporto, a atleta estuda simultaneamente no 10.º ano, em Sidney. Desde cedo, matriculou-se num estabelecimento de ensino afeto ao desporto. Começou por dar os primeiros passos num clube local e depois foi representar a New South Wales e é hoje uma atleta de topo da seleção australiana.
O evento que lhe permitiu arrebatar a medalha de ouro é de cariz mundial, tem uma periodicidade bianual e o próximo realiza-se em 2017, na China. Mais um desafio para a atleta e a sua equipa. É curioso notar no olhar e nas palavras desta jovem o projeto de vida que já tem traçado para o desporto e a determinação com que fala das metas a atingir.

Como ficam os estudos no meio da competição, da adrenalina, dos treinos diários de fitness e remo? De cabelo longo apanhado num rosto miúdo e olhar muito expressivo, Kayla-Rose sorri e afirma, em tom doce e calmo, mas com as mãos a direcionar categoricamente a resposta: “É uma questão de focar-se nas prioridades. Quando é para estudar, estuda-se. Quando é para praticar o desporto, pratica-se. Aliás, o desporto permite uma certa evasão aos estudos, sem naturalmente descurá-los”.

Graças ao mérito e persistência da atleta, foi convocada para representar a seleção da Austrália, em Toronto, no evento mundial “Dragon Boat Racing Championships”, realizado no passado dia 23 de agosto. Num barco de 10 atletas, onde se incluía a luso-descendente, e numa corrida de 2 mil metros, a sua equipa, Aurora’s Junior Team, representando a Australian Dragon Boat Team, conquistou a medalha de ouro que a mostrou ao Funchal Notícias.

Em entrevista ao FN, no Café Apolo, Kayla-Rose toca na medalha de ouro e não esconde que a sua conquista “foi uma experiência espantosa que compensou todo o trabalho duro, as muitas horas de treino e sacrifício”. Treinava seis dias na semana, entre uma a duas horas diárias. Mas não só. A alimentação é sempre rigorosamente cuidada e as aulas de fitness e remo são bem puxadas.
O próximo desafio é já em março de 2016. Vem, aí nova competição de dimensão mundial, a Marist Dragons Woolwich, e Kayla-Rose e equipa já se vão preparando, a partir de setembro, para representar novamente a seleção australiana.
Uma particularidade: apesar do orgulho e da glória, estas competições saem caro aos pais de todos os atletas. Por exemplo, a família Sousa conta-nos que gastou cerca de 20 mil euros para a participação da Kayla-Rose neste evento mundial. Desde o equipamento desportivo, seguros, às deslocações aéreas para assistir à participação da seleção australiana com a filha, tudo é assumido pelos pais dos atletas. Daí que, segundo apurámos, a própria Seleção Portuguesa de Remo não esteve presente neste evento mundial por falta de verbas.
Mas o tempo presente é de férias, até à partida, na próxima terça-feira. A atleta classifica a Madeira de “bonita”. Para viver cá, “é muito pequena”, comenta com um sorriso. “Só de férias”.
Os pais partiram para a Austrália em bom tempo, quando os emigrantes tinham facilidade em entrar neste desenvolvido país. Aos 4 anos de idade, o pai de Kayla-Rose, Jamie Sousa, deixou a Madeira para trabalhar em Sidney onde já lá estava o pai. A construção foi o grande investimento, subiu a pulso e hoje tem empresas de construção e recentemente diversificou os negócios para a restauração, abrindo dois restaurantes de pizzas. “Na Austrália há muito mais oportunidades. É outro mundo. Aqui vemos jovens licenciadas e sem emprego. Neste momento a emigração para Sidney é muito especializada, ultimamente só estavam pedir médicos. As portas do país abrem-se conforme as necessidades”, explica, sempre com um sorriso e grande simpatia, a família Sousa.
Sandra Sousa, mãe de Kayla-Rose, explica que tem sido mais fácil aos jovens entrarem como estudantes. No entanto, quem se inscreve num curso na Austrália, tem de o pagar todo antes de o iniciar. É uma condição que seleciona logo os candidatos, por ser dispendiosa.
Quanto ao futuro, Kayla-Rose tem planos na área do drama e na formação desportiva dos mais jovens. Mas há uma longa estrada pela frente. Neste momento, desdobra-se entre o desporto e os estudos. A sua convicção é a de que “quando se quer tudo se consegue” e é com este lema que está no desporto, num país tão competitivo como o é a Austrália.
O irmão de Kayla-Rose estava atento à conversa. Outro atleta a dar os primeiros passos, já a mostrar talento no criquete e futebol. Uma família certamente com o ADN ligado ao desporto.

Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




