Governo Regional quer poupança na futura estrutura de ligação com as comunidades emigrantes

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O futuro modelo de ligação entre a Madeira e as comunidades emigrantes terá de ser eficaz e barato. O Governo Regional está a dar os primeiros passos no sentido de preparar políticas para o sector, mas já sabe o que quer e o que não quer, sobretudo em matéria de custos.

“Pretendemos que a forma de interação que vier a ser implementada seja o mais módica possível, em termos de orçamento e custos”, anunciou Sérgio Marques, o secretário regional que tutela a pasta das comunidades, na véspera do primeiro encontro oficial entre o novo Executivo e os emigrantes, a realizar no Funchal, com mais de uma centena de participantes.

Trata-se de uma abordagem bem distinta da que subsistia no anterior Conselho das Comunidades Permanentes, “um aparato” que acabou inativo em 2003 e que Sérgio Marques não quer ver repetido.

“Lembro-me que uma das razões que levou ao insucesso e que acabou por condenar as anteriores estruturas de ligação foi precisamente o custo exorbitante, pesadíssimo”, frisou. “No futuro, as estruturas que venham a ser criadas terão de ser muito ágeis e com custo mínimo, porque de outra forma não serão viáveis. Terão de apostar na formação de redes, aproveitando as plataformas digitais que tornam mais barata a proximidade com as comunidades. Não vamos financiar deslocações nem alojamentos, não faz sentido. Esse tempo acabou”.

SERGIO ENTREVISTA 024

Relativamente ao Centro das Comunidades e Migrações, estrutura na dependência da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, é para manter. “A questão, depois, é saber como vamos estar em contacto com as comunidades, se através de um conselho permanente, de um fórum, de um congresso ou através de uma convenção. Vamos ter de pensar numa destas alternativas”, sublinhou o secretário regional, acrescentando que o processo de escolha dos representantes das comunidades junto do Governo Regional terá igualmente de ser revisto.

Neste momento, ainda não está definida a forma como a Região vai reativar a ligação às comunidades. Mas uma coisa é certa, é preciso reforçar os laços com a diáspora e fazer dos conterrâneos radicados no estrangeiro autênticos aliados na promoção turística da Madeira. Sérgio Marques entende ser esta a prioridade no trabalho a desenvolver futuramente, dado o potencial humano e cultural.

“Temos de fazer dos nossos conterrâneos, principalmente daqueles que sentem uma grande proximidade com a Região, verdadeiros embaixadores da Madeira”, sublinhou o responsável. “Estive recentemente em New Bedford, na Festa do Santíssimo Sacramento, uma celebração que se assume como uma grande uma montra da Madeira no seio de uma cidade americana. Aquilo é promoção pura a custo zero para a Região, para além de ser uma exaltação das nossas tradições, da cultura, da gastronomia. Este tipo de mais-valia tem ser aproveitado”.

De forma a corporizar este objetivo estratégico, o Governo Regional prepara-se para dar início à primeira etapa, a da auscultação, a partir da qual será possível decidir qual o formato mais adequado no sentido de a Madeira se fazer representar em todo o mundo através de cada madeirense.

O Encontro das Comunidades Madeirenses, que terá lugar amanhã, no Funchal, será assim a primeira plataforma de aproximação e de recolha de informação, que se espera relevante, em termos de fornecer pistas quanto à política a seguir pelo Executivo nesta área.

“Não queremos decidir nada sobre o futuro da representação das comunidades junto dos órgãos próprios da Região, sem que antes ouçamos a sua opinião sobre como deverá ser essa ligação. Este encontro é, acima de tudo, um exercício de auscultação”, sintetizou Sérgio Marques, garantindo que as políticas a desenvolver partirão sempre de uma base de abertura à sociedade.

O evento, coordenado pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, irá reunir mais de uma centena de participantes e estará ligado em tempo real a várias partes do globo, através de plataformas digitais. As inscrições para as sessões de trabalho, que decorrerão no salão nobre do Governo e em espaços situados nas imediações da Avenida Zarco, foram abertas a todos os interessados. “Não selecionámos ninguém. Convidámos todos a expressarem aquilo que pensam e defendem”.

Para além do estabelecimento de pontes de cooperação, o Encontro das Comunidades pretende ainda ser um espaço de diagnóstico dos problemas e desafios que mais afligem os nossos conterrâneos. Sérgio Marques, fruto dos contactos mantidos com alguns países e da sua experiência como deputado europeu, salienta a complexidade de várias realidades, algumas delas fora da alçada do Governo Regional.

“Problemas com o funcionamento dos consulados, a questão do ensino da língua portuguesa, o problema dos transportes aéreos, muito sentido na África do Sul, nos Estados Unidos e agora na Venezuela muito por força da conjuntura política do país, a questão do acesso aos produtos tradicionais regionais, sobretudo na Austrália, devido à distância. Enfim, há uma série de dificuldades que variam de comunidade para comunidade e para os quais temos de estar atentos”, alerta.

Como poderá então a Região ajudar as comunidades e retribuir o seu esforço e cooperação? O secretário regional não tem uma fórmula mágica. “Acima de tudo, temos de dar boa governação à Madeira. Se criarmos condições de prosperidade e de desenvolvimento, estaremos a contribuir para que os nossos conterrâneos possam investir em segurança e com condições de sucesso. É aquilo que podemos garantir. É claro que estaremos sempre de braços abertos para as nossas comunidades”.

comunidades emigrantes

No encontro que terá lugar amanhã, dia 28, estarão presentes conselheiros e comendadores, presidentes de associações e outros dirigentes associativos, clubes e missões, altos quadros diplomáticos, empresários, comerciantes, artistas, cantores e músicos, profissionais liberais como advogados e médicos, militares, académicos, historiadores, investigadores, pessoas ligadas à banca e construção civil, altos quadros de associações de prestígio mundial, artesãos e professores.

Trata-se de um momento importante para definir igualmente quais os perfis que caracterizam as comunidades atualmente.

“Temos comunidades estabelecidas há muito tempo e temos outras ainda em formação, aquelas que decorrem dos fluxos migratórios mais recentes. Muitos daqueles que saem agora para países da União Europeia já não têm o estatuto de emigrantes. Saem exercendo a sua liberdade de livre circulação enquanto cidadãos europeus. É por isso que queremos reforçar esta rede de ligação com a Madeira, de forma a manter contactos.Temos de olhar para toda esta diversidade e, se calhar, encontrar formas diferenciadas de responder”.

Uma novidade do Encontro é o facto de estarem previstas participações de descendentes de madeirenses de 2ª e 3ª gerações que trilham o caminho inverso ao dos seus antepassados, procurando a Região em busca da sua identidade, como acontece com a académica de Trinidad e Tobago Jo-Anne Ferreira, mas também  para se estabelecer, como é o caso do Diretor do departamento da ONU para o combate a doenças infeciosas, UNITAID, Maurício Cysne.

Durante a parte da tarde, haverá quatro mesas de trabalho sectoriais: Órgãos de Comunicação Social da Diáspora (Mesa I); Plataforma de Negócios, Empreendedorismo e Promoção (Mesa II); Luso-Descendentes e Cultura (Mesa III); Mecanismos de Representatividade (Mesa IV).

A apresentação de conclusões está marcada para sábado, às 10h00, no São Nobre.