Madeirenses não devem esquecer o legado dos seus emigrantes

Jo-Anne - palestra 29.07.2015 046* Roquelino Ornelas

Esquecer o passado é correr o risco de repetir erros da história e é também desperdiçar uma importante valia do ponto de vista cultural. Esta foi uma ideia sublinhada por Jo-Anne Ferreira na primeira de um ciclo de palestras promovido pelo Núcleo Museológico da Casa do Povo do Caniço.

Bisneta de madeirenses, que emigraram para as Caraíbas em meados do século XIX, no auge de um grande fluxo emigratório, Jo-Anne Ferreira defende um incremento do intercâmbio entre a Região e as suas comunidades espalhadas pelo mundo.

No caso de Trinidad, Tobago, Guiana Inglesa e outros pontos de destino de emigração madeirense é real a ameaça de extinção dos traços identitários madeirenses. Cabe aos descendentes de madeirenses nessas comunidades não deixar que se apaguem e às autoridades da Madeira olhar por isso. “O meu sonho é que, por exemplo, em Trinidad e Tobago, o meu País, não se esqueçam das origens madeirenses – que tenham orgulho não só no prato típico de natal, a “carne-vinha-d´alhos mas em todo o legado identidário. Não nos devemos esquecer da Madeira nem a Madeira deve esquecer-se de nós” disse a conferencista.

Jo-Anne Ferreira que frequentou na Universidade da Madeira um curso de verão promovido pela Uma e pelo Centro das Comunidades Madeirenses, deixa a Madeira este fim de semana, cheia de saudades desta ilha donde partiram os seus antepassados e que ela considera a sua segunda terra.
A palestra no Caniço durou cerca de duas horas. Participaram mais de 50 pessoas entre elas alguns madeirenses nascidos em Trinidad ou com familiares nesta região do Caríbe. O ciclo de palestras do museu prossegue. A próxima palestra está agendada para Setembro no recentemente inaugurado Museu do Caniço.

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