Hoje é dia de mudar a hora

icon-isabel-torresÉ provável que muitos de nós ainda não se tenha apercebido que a hora mudou. Entramos hoje, dia 29 de Março, na chamada “hora de Verão”. Na Madeira e no Continente os relógios foram adiantados 60 minutos, a partir das 02 horas da madrugada, nos Açores, essa mudança aconteceu mais cedo, à meia-noite.

Parece que cada um tem o seu tempo, a sua hora. Mesmo quando se fala do mesmo país, da mesma família, da mesma organização, temos tempos e modos diferentes. Não é que isso seja necessariamente negativo. Pelo contrário. Numa orquestra os instrumentos não são todos iguais e todos têm, o seu tempo e a sua hora de entrada. O importante é que, no fim, a harmonia seja perfeita.

O desejo da perfeição deveria ser uma exigência imposta a nós próprios, uma meta a alcançar no nosso dia-a-dia, porque a “hora perfeita” de cada um, contribuiria decisivamente para o bem-estar colectivo.

Falta-nos essa dialéctica, esse culto da estética, essa cultura do gosto e da qualidade. Sem isso, torna-se mais difícil atingirmos a excelência.

De um modo geral, preferimos desperdiçar horas a remediar as coisas e dedicamos segundos onde deveríamos investir horas. Não temos hora para planear, para analisar, discutir, reflectir. Tudo seria diferente se, tivéssemos o hábito de começar bem o dia, ter horas para iniciar um projecto ou tomar uma decisão.

Depois queixamo-nos. Somos muito bons no queixume. Muitas das vezes, até sabemos a hora certa para tomar a decisão mais adequada, mas como nos falta coragem para o fazer, preferimos tomar a decisão errada, porque nos iludimos e nos contentamos em pensar que, não podemos “mudar a hora”.

Passamos a vida na indecisão, na balança, à espera que sejam os outros a fazer por nós, aquilo que, só a nós, nos cabe realizar. Há coisas que só nós podemos mudar, que são da nossa exclusiva responsabilidade, da nossa hora, do nosso momento, mas preferimos o refúgio aconchegante das palavras, e o desabafo: “Talvez a minha hora ainda não tenha chegado.”

Não é bem assim. A “nossa hora” é o nosso momento. É a nossa capacidade para tomarmos decisões. É quando virados para dentro de nós próprios assumimos que, devemos aproveitar a “nossa” hora, para fazer a diferença. Sem medo e com responsabilidade.

A hora muda hoje. Desejo, sinceramente, que todos os madeirenses e portosantenses acertem os ponteiros do relógio no trajecto certo, à hora certa. Se não o fizerem, corremos o risco de ficarmos durante muitos anos pela “hora da morte”. E isso seria trágico, porque significa atrasar o relógio das nossas vidas.