A importância dos animais de estimação na saúde das pessoas

Imagem retirada do site www.minhavida.com.br
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Ana Maria Bijóias Mendonça

Noções como “felicidade”, “bem-estar” e “saúde” têm vindo a ganhar cada vez mais importância na atualidade. De entre as incontáveis definições de felicidade, podemos descrevê-la, em termos gerais, como “emoção básica caracterizada por um estado emocional positivo, com sentimentos de bem-estar e de prazer, associados à perceção de sucesso e à compreensão coerente e lúcida do mundo” (Ferraz et al., 2007:1). De qualquer modo, como acontece com o bem-estar, também na felicidade estão presentes um componente afetivo e um componente cognitivo (Veenhoven, 1991 in Rubin, 2010). Por isso, a avaliação global da vida supõe, por um lado, o modo positivo como o indivíduo se sente e os afetos que experiencia, e por outro lado, o grau em que as aspirações desse indivíduo são ou não satisfeitas.
A procura da felicidade tem sido, progressivamente, legitimada, particularmente nas nações livres e democráticas. A inovadora Resolução 65/309, da Assembleia Geral das Nações Unidas, formalizada em 25 de agosto de 2011, faz menção à prossecução da felicidade como demanda humana fundamental, à necessidade de uma abordagem mais holística para as questões relativas ao desenvolvimento, e à consciência de que a felicidade, enquanto meta universal legítima, está ligada aos próprios Objetivos do Milénio para 2015.
O bem-estar é, muitas vezes, sinónimo de uma vida feliz e preenchida, sendo analisado num vasto leque de contextos. É, ainda, frequentemente associado ao nível mínimo de conforto e dignidade de que os cidadãos de um país devem usufruir (welfare), para além do sentimento de equilíbrio pessoal (well-being). Embora compreenda uma vertente obviamente subjetiva (o SWB – Subjective Well-Being), respeitante ao modo como as pessoas individualmente avaliam as suas vidas em termos emocionais e cognitivos (Diener et al., 2002), o bem-estar tem sido medido também em termos coletivos, associado a parâmetros como a Qualidade de Vida (QOL-Quality of Life, em inglês). Assim, a qualidade de vida engloba não apenas o usufruto de riqueza material, mas também o emprego, a saúde física e mental, o ambiente construído, a educação, o lazer e a necessidade de pertença social.

Imagem retirada do site ateac.org.br
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A World Health Organization (WHO, 1997), organismo coordenador das Nações Unidas, sublinha que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas o resultado global do bem-estar em termos físicos, mentais, sociais e culturais, constituindo um direito fundamental de todos os seres humanos, sem exceção. Consequentemente, a qualidade de vida denota o modo como os indivíduos percecionam a sua posição na vida, com base no seu contexto cultural e axiológico e em relação às suas expetativas, objetivos, preocupações e padrões. Trata-se de um conceito amplo, no qual estão implicados a saúde física, o estado psicológico, os relacionamentos sociais, o nível de independência, as crenças pessoais e a relação com o meio.
Contudo, sabemos que as exigências da vida moderna e urbana, a diluição dos laços familiares e de apego, o crescente egoísmo, o apelo do virtual, o consumo permanente, a falta de tempo para ser(se) e para refletir(se), cria fraturas, insatisfação, isolamento, e por conseguinte, infelicidade e mal-estar. Esse mal-estar é já falta de saúde porque condiciona os indivíduos, faz com que percam ou não cheguem a desenvolver o seu potencial humano, cognitivo e relacional.

Imagem retirada do site spitalunivet.com.br
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Neste contexto, os animais não humanos podem ajudar a estabelecer pontes, a encontrar o(s) sentido(s) perdido(s), a “reprogramar” devidamente as conexões cerebrais viciadas – sabe-se hoje que a plasticidade do cérebro é uma realidade, e portanto, podem adquirir-se ou reaprender-se pensamentos, emoções e sentimentos saudáveis e positivos. Os animais, eles próprios – como se sabe pela Psicologia -, dotados de cognição, de capacidade de aprender, de emoções e de grande intuição (em especial os mamíferos), são portanto, os companheiros ideais, os mediadores perfeitos para fomentar situações de terapia e de cura1. Esta “instrumentalização” inicial do animal desvanece-se porque se torna impossível não ir estabelecendo com ele, ao longo do tempo, relações de grande cumplicidade e de amizade. Para além da terapia efetiva com animais (por exemplo, Substantial sums of money are invested annually in preventative medicine and therapeutic treatment for people with a wide range of physical and psychological health problems, sometimes to no avail. There is now mounting evidence to suggest that companion animals, such as dogs and cats, can enhance the health of their human owners…” (Wells, 2009:abstract) cavalos, cães ou golfinhos), destinada a crianças com NEE ou com dificuldades relacionais, a pessoas que sofreram traumas intensos ou a doentes oncológicos, existe a terapia não convencional, que qualquer um de nós pode experimentar quando, ao fim do dia, chega a casa e interage com o seu animal de estimação. Além disso, é muito importante que os seres humanos compreendam que são uma espécie entre outras, eventualmente mais inteligente, sim, mas não desligada das restantes espécies e da própria natureza.
Consequentemente, este projeto pode ser uma mais-valia porque, a partir de um meio privilegiado para refletir e fomentar a ação (a escola), sobretudo entre os mais jovens, se apresenta como meio de estabelecer pontes e parecerias com valor acrescentado.

Imagem retirada do site compartilheobem.wordpress.com
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Bibliografia:
-DIENER, E.; OISHI, S. & LUCAS, R. E.(2002), Subjective Well-being: the science of happiness and life satisfaction, Oxford Handbook of Positive Psychology, 2ª edição, Oxford e Nova York, Oxford University Press. ISBN: 978-0-19-518724-3.
-FERRAZ, R.B.; TAVARES, H.; ZILBERMAN, M. L. (2007), Felicidade: uma revisão, Revista de Psiquiatria Clínica, vol.34, nº5, p.234-242. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500005. Consultado a 12-10-2014.
-RUBIN, B. (2010), O Direito à Busca da Felicidade, Revista Brasileira de Direito Constitucional, RBDC nº 16, jul./dez. 2010. Disponível em http://www.esdc.com.br/RBDC/RBDC-16/RBDC-16-035-Artigo_Beatriz_Rubin_%28O_Direito_a_Busca_da_Felicidade%29.pdf. Consultado a 12-10-2014.
-WEELS, D.L. (2009), The Effects of Animals on Human Health and Well-Being, Journal of Social Issues, vol.65, Issue 3, setembro de 2009, pp. 523-543.
-WHOQOL – World Health Organization Quality of Life (1997), Measuring Quality of Life, Programme on Mental Health. Disponível em http://www.who.int/mental_health/media/68.pdf. Consultado a 12-10-2014.