Encontro com os tigres de Bengala

tigre-bengala

Texto e fotos: Rui Marote

Bem cedo deixei o hotel com o objetivo de ver os famosos tigres reais de Bengala. Segundo informações recolhidas, o Jardim Zoológico de Dhaka tinha um show com estes felinos.
Pensei com os meus botões: vou reviver os anos sessenta, o famoso Circo Royal, com o grande domador francês Pierre Ivanof e os seus tigres de Bengala!
Existem pouquíssimos destes tigres: o Homem tem destruído esta espécie.
Apanho como transporte o famoso tuk-tuk. A distância é longa: mais de uma hora de caminho, já que o Zoo fica fora de Dhaka.

Tráfego muito intenso, poluição assustadora… Discuti o preço: 250 taka, ou seja, 3 euros. Dei entrada na “capoeira” (ou seja, o tuk-tuk todo cercado com uma espécie de grade de galinheiro, do qual já falei em posts anteriores) e de imediato travesti-me de Zorro: com o cachecol tapei a boca e o nariz, pois a viagem era demorada e o ar está 1000 por cento poluído. Sempre é uma protecção…

Seguiu-se a odisseia dentro do “galinheiro”: o condutor fazia mil e um ziguezagues em toda a faixa de rodagem, da esquerda para a direita, procurando espaço para penetrar. Uma constante em todo o percurso. Durante o trajecto, onde quer que o trânsito paralisasse, surgiam encostados às grades do tuk-tuk dezenas de vendedores oferecendo água, papaias, amendoins, pepinos,gelados e outras guloseimas.

Chegados ao destino, o meu condutor não tinha notas para efectuar trocos… Fiz a sugestão: comprar a entrada no parque para arranjar troco. Foi pior a emenda que o soneto… o homem da bilheteira também se fez rogado, exclamando que não tinha troco! Após muita insistência, lá consegui recebê-lo. Contas pagas, entrei no parque, e de imediato recebi o ar puro da vegetação daquela zona.

Seguindo as setas dos placares fui visitando o Zôo, até que cheguei ao Tigre Real.
Abordei um dos guardas, tentando ser informado das horas do show e local. O homem sorriu…não há show, disse acabou “a long time ago”.
Restou-me somente fotografar um dos três exemplares lá existentes…
Lá diz o ditado, “ir a Roma e não ver o Papa”, neste caso sempre havia o tigre, por isso não perdi tudo…
Sempre foi uma manhã maravilhosa de visita de estudo ao Zoológico, criando forças para enfrentar o regresso a Dhaka de “galinheiro”.

Barbearia em plena rua
Barbearia em plena rua
Transportes imaginativos
Transportes imaginativos
O que não falta é lixo por todo o lado
O que não falta é lixo por todo o lado
Uma barba de respeito
Uma barba de respeito