Estudar a complexidade para compreender o mundo

Ana Isabel Portugal

O trabalho do artista norte-americano Jackson Pollock foi um dos exemplos utilizados pela professora universitária Ana Isabel Portugal, para explicar a Teoria do Caos e da Complexidade, na tertúlia que decorreu ontem, no auditório da Reitoria da Universidade da Madeira.

Na aparência caótica da obra de Pollock existe “uma ordem escondida que se traduz em beleza e harmonia”, sublinhou. Significa que, mesmo nos sistemas caóticos e complexos, que aparentemente se comportam como aleatórios, “se os estudarmos convenientemente, encerram uma lei determinística, forte. O caos não significa desordem. É ordem escondida. Ordem e caos não são concomitantes nesses sistemas”.

Seguindo essa lógica, a ordem da pequena escala pode produzir desordem, caos na grande escala. Ou seja, o simples “bater das asas de uma borboleta faz toda a diferença”, pode eventualmente dar origem a um tufão no outro lado do Mundo. Trata-se de um efeito analisado pela primeira vez, em 1963, por Edward Lorenz, na Teoria do Caos, que se aplica a todas as áreas das ciências exatas e humanas.

Por essa razão, Ana Isabel Portugal concluiu que os modelos de análise de sistemas que hoje interessam estudar são os complexos. Conforme explicou “os outros, no nosso mundo de mudança acelerada, têm pouca aderência à realidade”.

A intervenção realizada ontem, seguida de jantar debate, integra-se num ciclo de tertúlias propostas pelo Clube Ateneu do Conselho de Cultura da UMa.

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