Google suspende obras de data centers de IA na Finlândia após desmatamento de cerca de 1.300 acres

AF!

A Finlândia ordenou a suspensão dos trabalhos de preparação de dois futuros centros de dados de inteligência artificial associados ao Google, após a empresa ter desmatado cerca de 1.300 acres de floresta sem concluir as avaliações de impacto ambiental exigidas pelas autoridades.

A Autoridade Finlandesa de Licenciamento e Supervisão (LVV) determinou que a Tuike Finland Oy, empresa ligada aos projetos, parasse as atividades nos concelhos de Muhos e Kajaani, na região de Otanmäki. Os trabalhos incluíam corte de árvores, remoção de solo, abertura de estradas, escavações e alterações em sistemas de drenagem.

Floresta cortada antes das avaliações

Segundo as autoridades e a imprensa internacional, foram desmatados cerca de 330 hectares em Muhos e quase 200 hectares em Otanmäki, num total aproximado de 530 hectares — o equivalente a cerca de 1.300 acres.

Estimativas avançadas pela imprensa apontam para a derrubada de cerca de 250 mil árvores apenas em Muhos, enquanto ambientalistas calculam que o total possa chegar a 400 mil árvores nos dois locais. Estes números não foram ainda confirmados oficialmente.

A ordem de suspensão foi emitida a 6 de outubro e estabelecia que os trabalhos deveriam estar interrompidos até 23 de outubro, enquanto não estivessem concluídos os estudos ambientais necessários.

População denuncia impactos

A remoção da vegetação gerou preocupação entre os moradores, que relatam o deslocamento de animais silvestres e a aproximação de lobos às aldeias. «Tivemos lobos a entrar na aldeia porque todos os animais selvagens saíram da floresta», afirmou Anni Ranta, residente da região.

Além do impacto sobre a fauna, os habitantes manifestaram receio quanto ao ruído das obras, ao escoamento de lama para os ribeiros e à destruição de habitats naturais. Organizações ambientalistas criticaram a dimensão do desmatamento e questionaram a antecipação dos trabalhos relativamente às avaliações exigidas.

Investigação policial em curso

A polícia finlandesa abriu uma investigação preliminar sobre possíveis irregularidades ambientais no projeto, com especial atenção para ambiguidades e deficiências na drenagem e na gestão das águas no canteiro de Muhos.

Até ao momento, não foi proferida qualquer condenação judicial. Existe, porém, uma ordem administrativa de suspensão e uma investigação em curso para apurar se foram violadas as normas ambientais aplicáveis.

Google pede desculpas

O diretor do Google na Finlândia, Antti Järvinen, pediu desculpas pela situação, afirmando estar «extremamente arrependido» pelo desenrolar dos acontecimentos. A empresa sustentou que agiu de acordo com a sua interpretação da legislação, mas garantiu que cumprirá as determinações da LVV.

O caso reacendeu o debate sobre o custo ambiental da expansão dos centros de dados necessários ao desenvolvimento da inteligência artificial, sobretudo em regiões de grande valor ecológico. Para as comunidades de Muhos e Otanmäki, a questão deixou de ser apenas tecnológica: tornou-se uma disputa sobre o equilíbrio entre investimento, emprego e preservação da floresta finlandesa.


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