Deputada do PS denuncia queda dos valores pagos aos produtores de banana

AF!

A deputada do PS na Assembleia Legislativa da Madeira, Sílvia Sousa Silva, acusou a GESBA de um modelo de gestão que, segundo afirma, impede os bananicultores de beneficiarem do valor a que a banana da Madeira é vendida ao consumidor. Num texto publicado na sua página de Facebook, a socialista defende que “o dinheiro da banana não chega ao produtor” e exige um aumento dos preços pagos em todas as categorias, além da criação de um seguro mutualista.

Segundo a deputada, grande parte das superfícies comerciais vende a banana da Madeira a 1,99 euros por quilograma, independentemente do tamanho ou do aspeto do fruto, enquanto os produtores recebem, em média, 0,55 euros por quilograma. A parlamentar sustenta que a banana extra é paga ao produtor a 0,64 euros por quilograma em 2026, contra 0,60 euros em 2007; a banana de primeira categoria é paga a 0,26 euros, face a 0,51 euros há quase duas décadas; e a de segunda categoria atinge 0,156 euros, contra 0,30 euros em 2007.

Crítica ao modelo da GESBA

Sílvia Sousa Silva considera que a diferença entre o preço de venda ao público e o valor recebido pelos agricultores resulta do modelo de gestão da empresa pública, que classifica como um monopólio. A deputada afirma que a GESBA “nunca trabalhou para a sustentabilidade das contas”, mas para reter benefícios do negócio da banana, acusação que a empresa e o Governo Regional contestam.

A socialista critica ainda a valorização quase exclusiva da banana extra, argumentando que as categorias inferior e de primeira aumentam sobretudo em períodos de mau tempo, quando a qualidade da produção é afetada. Nesse cenário, sustenta, os produtores ficam mais expostos a quebras de rendimento.

“A questão é que a GESBA nunca trabalhou para a sustentabilidade das contas, mas sim para extorquir dinheiro aos bananicultores”, afirma a deputada no texto, sustentando que os produtores recebem hoje, em média, menos por quilograma do que recebiam há 20 anos.

Contexto e versão da empresa

As críticas surgem depois de o PS-Madeira ter associado a quebra de 15,4% na comercialização de banana nos primeiros nove meses de 2026 ao falhanço do atual modelo setorial. O partido exige maior transparência sobre a formação dos preços e medidas que aumentem o rendimento dos agricultores.

A GESBA tem apresentado uma leitura diferente dos números. Segundo dados divulgados pela empresa e pelo Governo Regional, o valor médio pago ao produtor aumentou 60% entre 2009 e 2024 para a banana de categoria extra, já incluindo o apoio do POSEI, e a empresa refere que 43% da banana paga ao produtor foi remunerada acima de 1,20 euros por quilograma.

A administradora da GESBA, Nuno Barros, defendeu ainda que a empresa não se limita a pagar a produção, assumindo funções de recolha no terreno, apoio técnico, embalamento e comercialização. Em 2024, a produção regional atingiu 24,6 mil toneladas e o valor pago aos produtores situou-se em cerca de 25 milhões de euros.

Propostas do PS

Perante o cenário, o PS anuncia que irá apresentar medidas para mitigar as quebras de produção e comercialização e reforçar os rendimentos dos bananicultores. As propostas incluem o aumento do preço pago pela banana ao produtor em todas as categorias e a criação de um seguro mutualista destinado a cobrir prejuízos não abrangidos pelo seguro coletivo.

A deputada argumenta que, se o setor estivesse verdadeiramente em sucesso, a empresa pública já teria capacidade para aumentar os preços pagos aos agricultores, mesmo perante um ou dois anos de quebras de produção associadas às alterações climáticas.

O debate volta a colocar no centro da política madeirense a sustentabilidade económica da banana, principal cultura de muitos agricultores da Região, e a repartição do valor gerado entre produtores, empresa pública e distribuição.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.