Fidelidade contesta indemnização de um milhão de euros pedida por família de vítima do Elevador da Glória

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A seguradora Fidelidade contestou, no Tribunal Administrativo de Lisboa, o pedido de cerca de um milhão de euros apresentado pela família de Ana Paula Lopes, uma das 16 vítimas mortais do descarrilamento do Elevador da Glória, em Lisboa. A empresa alega que o valor exigido é excessivo e sustenta que o acidente não era totalmente imprevisível, num processo que voltou a colocar em destaque a responsabilidade da Carris e da sua seguradora.

A família pede 1,05 milhões de euros à Carris, à Fidelidade e à MNTC, dos quais 125 mil euros correspondem à compensação pela perda do direito à vida. A Fidelidade considera este montante desproporcionado, invocando decisões judiciais anteriores em que indemnizações por morte teriam oscilado entre 50 mil e 90 mil euros.

Argumentos da seguradora

Na contestação apresentada em tribunal, a Fidelidade sustenta que o Elevador da Glória não era um meio de transporte “altamente confiável”, referindo incidentes anteriores desde 2018 e o uso frequente do equipamento pela vítima. Segundo a seguradora, estas circunstâncias afastariam a ideia de que o desastre era totalmente imprevisível.

A empresa argumenta ainda que o sofrimento e a perceção de morte iminente da vítima terão durado menos de um minuto. De acordo com a contestação, o processo terá demorado cerca de 33 segundos desde a preparação da viagem, 20 segundos desde o início do movimento e apenas dois a três segundos até à imobilização do elevador.

A Fidelidade reconhece que o sofrimento foi intenso, mas considera que a sua curta duração deve ser tida em conta na fixação da indemnização.

Seguradora nega recusa de indemnizar

Perante a polémica gerada pela divulgação das peças processuais, a Fidelidade rejeitou “categoricamente” estar a recusar indemnizações às vítimas e às famílias. A seguradora lamentou que “algumas expressões” retiradas do processo possam ter causado sofrimento adicional às famílias das vítimas.

Em comunicado, a empresa afirma ter proposto “várias centenas de milhares de euros” à família de Ana Paula Lopes, com base em critérios legais e jurisprudenciais e em parecer da Comissão Técnica Independente. A Fidelidade sustenta que a divergência sobre o montante não equivale a uma recusa de indemnizar.

Reações e estado dos processos

A posição da seguradora foi fortemente criticada pela Câmara Municipal de Lisboa. O presidente da autarquia considerou as alegações “vergonhosas” e “lamentáveis”, numa sessão em que foi questionada a atuação da Carris e da sua seguradora após a tragédia.

Segundo a Fidelidade, dos 16 processos relativos às vítimas mortais, quatro já foram encerrados por acordo, oito estão em negociação, dois aguardam documentação, um segue para tribunal e um está a ser tratado como acidente de trabalho.

O acidente do Elevador da Glória, ocorrido em setembro de 2025, provocou 16 mortos e deixou a cidade em choque. Mais de um ano depois, a disputa sobre o valor das indemnizações mantém-se e a decisão final sobre as responsabilidades continua a depender dos tribunais e das conclusões do Ministério Público.


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