Estepilha: língua estrangeira acima da língua de Camões na sinalética…

Rui Marote
Escapou-nos, num recente artigo sobre os novos estabelecimentos que abrem na Marina do Funchal, este detalhe.
Só esta manhã no nosso “escritório” habitual na baixa funchalense olhámos com olhos de ver para um aspecto importante que não vislumbrámos quando fotografámos a nova sinalética.
O Estepilha manifesta o seu descontentamento pela inversão de prioridades – colocar a língua estrangeira
acima da língua materna no próprio país é uma atitude vista por muitos residentes e especialistas em património como uma descaracterização cultural e uma cedência excessiva ao turismo.
A sensação de “piroseira” ou de falta de critério estético e cultural acontece por razões muito claras. O desrespeito pela identidade local dá a entender que o cidadão local e a língua portuguesa são secundários  no seu próprio terreno.
Resulta numa perda de autenticidade, transformando um espaço histórico e público numa “bolha artificial ” desenhada exclusivamente para turista, retirando o charme genuíno que os próprios estrangeiros procuram. Claro está que isto tem uma lógica comercial.
A concessionária privada adoptou esta hierarquia visual baseando-se estritamente em critérios financeiros e de conveniência. O inglês funciona como o idioma universal para iatistas de várias nacionalidades (franceses, alemães, escandinavos) e passageiros de cruzeiros.
O marketing visual foca-se em quem tem menos tempo para decidir onde gastar dinheiro (o turista de passagem), facilitando a leitura imediata para esse público.
Mas um bom design bilingue consegue dar igual relevância a ambas as línguas (usando, por exemplo, cores diferentes ou tamanhos idênticos lado a lado). Colocar o Português em segundo plano é uma escolha deliberada que assume o espaço como um “resort” privado e não como uma extensão da cidade do Funchal. Desconhecemos se existem regulamentos  municipais sobre a protecção da língua portuguesa na sinalética pública. Se não existem, deviam existir.

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