Os deputados do JPP acompanharam este sábado, o deputado e vereador Miguel Ganança numa visita à Festa das Vindimas do Estreito, onde contactou com a população e ouviu os viticultores sobre as dificuldades que continuam a afetar a actividade.
Miguel Ganança disse que o JPP foi o primeiro partido a colocar a valorização da Tinta Negra no centro do debate político. Já em outubro de 2023, o partido denunciava que o preço pago aos produtores permanecia, em termos nominais, praticamente ao nível de há 30 anos.
Em 27 de Março de 2024, o JPP propôs publicamente que o valor global recebido pelo produtor nunca fosse inferior a 1,50 euros por quilo. Seis dias depois, no Estreito, o Governo Regional anunciou um acréscimo de 20 cêntimos por quilo; em julho, confirmou-o como apoio extraordinário à Tinta Negra para a vindima de 2024.
“Na agricultura, esta não é a primeira vez que o Governo segue, com atraso, o caminho apontado pelo JPP. Congratulamo-nos com a valorização anunciada para a vindima deste ano, porque confirma aquilo que sempre dissemos: era possível e necessário pagar melhor pela Tinta Negra. Os reforços anunciados não apagam anos de desvalorização nem resolvem os problemas estruturais da viticultura”, declarou Miguel Ganança.
Os dados oficiais confirmam que o problema está longe de estar resolvido. Entre as vindimas de 2023 e 2025, a produção de Tinta Negra caiu de 2 975 para 2 049 toneladas, uma quebra de 31,1%. No mesmo período, e no conjunto da Região, o número de viticultores registados nas estatísticas oficiais desceu de 1 147 para 1 032, menos 10%.
As previsões oficiais para a vindima de 2026 apontam para uma recuperação da produção. É uma perspectiva positiva, que todos desejamos ver confirmada. Mas um ano melhor não apaga a quebra acumulada nem garante, por si só, a sustentabilidade da actividade.
“Chegar tarde tem consequências. Durante anos, foram os agricultores e as suas famílias que suportaram a desvalorização, o aumento dos custos e a incerteza. Quando a quebra da produção e o abandono começaram a ameaçar toda a fileira, o Governo e as casas de vinho ficaram sem margem para continuar a adiar uma resposta”, sublinhou.
Para Miguel Ganança, o debate não pode agora ficar limitado ao preço. A prioridade deve ser uma estratégia plurianual para a viticultura, capaz de preparar a Região para as alterações climáticas e de responder aos problemas estruturais da atividade.
“Uma boa vindima em 2026 será uma excelente notícia, mas não substitui uma política integrada, coerente e de longo prazo para a viticultura. As alterações climáticas já estão a mudar as condições de produção e não podem continuar a ser tratadas apenas no momento da vindima. Essa política tem de articular rendimento, mão de obra, adaptação climática, acesso à terra e assistência técnica. É preciso realizar ensaios no terreno, acompanhar os resultados e estabelecer metas concretas, em vez de reagir de vindima em vindima.”
Para o JPP, valorizar a Tinta Negra é proteger a base produtiva do Vinho Madeira, um dos produtos mais emblemáticos da Região, e também defender a paisagem e o território.
“Os agricultores são os verdadeiros jardineiros da nossa paisagem. Mantêm os poios, cuidam dos terrenos e contribuem para reduzir o abandono e o risco de incêndio. Quando desaparece uma vinha, não perdemos apenas uvas. Perdemos rendimento, paisagem e território cuidado”, referiu Miguel Ganança.
O JPP desafia ainda o Governo Regional e a Câmara Municipal de Câmara de Lobos a promoverem, em conjunto com os agricultores, um levantamento técnico das zonas com maior potencial agrícola onde a falta de acessos ou de soluções de transporte encarece a produção e favorece o abandono.
“Antes de prometer obras, é preciso ouvir quem trabalha a terra, estudar cada zona e perceber onde um acesso ou uma solução de transporte pode realmente reduzir os custos e ajudar a manter as vinhas produtivas”, defendeu.
“O JPP continuará ao lado dos viticultores, não apenas durante as festas, mas ao longo de todo o ano. É com proximidade, trabalho feito e soluções concretas que o JPP caminha para governar a Madeira e melhorar a qualidade de vida das populações”, concluiu Miguel Ganança.
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