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O escritor e médico português Júlio Dinis morreu há 155 anos, vítima de tuberculose, deixando uma obra marcada pela observação da sociedade portuguesa e pela valorização da vida rural.
Joaquim Guilherme Gomes Coelho, conhecido literariamente como Júlio Dinis, morreu na madrugada de 12 de setembro de 1871, no Porto. Tinha 31 anos e encontrava-se gravemente afetado pela tuberculose, doença que também vitimara a sua mãe e os seus irmãos.
Nascido no Porto, a 14 de novembro de 1839, Júlio Dinis formou-se em Medicina, mas foi sobretudo através da literatura que alcançou reconhecimento. A sua escrita, associada ao romantismo e considerada precursora de alguns traços do realismo, distinguiu-se pela linguagem acessível, pela atenção aos costumes e pela representação das relações familiares e sociais.
Entre as suas obras mais conhecidas encontram-se As Pupilas do Senhor Reitor, A Morgadinha dos Canaviais, Uma Família Inglesa e Os Fidalgos da Casa Mourisca. Nos seus romances, o autor conciliou histórias sentimentais com o retrato de uma sociedade em transformação, estabelecendo frequentemente um contraste entre os valores do mundo rural e a vida burguesa urbana.
A doença obrigou-o a procurar climas considerados mais favoráveis à recuperação. Em 1869, Júlio Dinis viajou para a Madeira e permaneceu durante algum tempo no Funchal, então procurado por doentes respiratórios devido às características amenas do clima. A estadia na ilha, contudo, não conseguiu travar a progressão da tuberculose.
De regresso ao Porto, o escritor continuou a trabalhar apesar do agravamento do seu estado de saúde. Morreu sem concluir a revisão de Os Fidalgos da Casa Mourisca, uma das obras que deixaria para publicação.
A notícia da morte foi recebida como uma perda significativa para a literatura portuguesa. No Jornal do Porto, o escritor e jornalista Sousa Viterbo registou o desaparecimento de “um dos seus mais estimáveis talentos”, numa referência à juventude e ao reconhecimento já alcançado por Júlio Dinis.
Apesar da brevidade da sua vida, Júlio Dinis deixou uma obra duradoura. Os seus romances continuam a ser estudados e lidos pela forma como documentam mentalidades, costumes e conflitos sociais do Portugal oitocentista, mantendo o autor entre os nomes mais relevantes da literatura portuguesa do século XIX.
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