O ADN Madeira emitiu um comunicado considerando que os resultados económicos apresentados pelo Governo Regional estão cada vez mais afastados da realidade sentida por muitas famílias. A inflação homóloga regional está nos 4,1%, acima dos 3,3% nacionais, os produtos energéticos estão 14,2% mais caros do que há um ano, os transportes 8% e uma nova subida dos combustíveis já foi anunciada para segunda-feira.
Ao mesmo tempo, entre Janeiro e Julho de 2026, os proveitos do alojamento turístico atingiram 534,6 milhões de euros, mais 7,8% do que no mesmo período do ano anterior.
Para o ADN Madeira, o problema não é o turismo crescer. O problema é esse crescimento não estar a ser acompanhado pela mesma melhoria nas condições de vida de quem cá vive e trabalha.
A habitação mostra bem este desfasamento. No primeiro trimestre de 2026, a renda mediana dos novos contratos chegou aos 11,97 euros por metro quadrado na Madeira, mais 16% do que um ano antes. No Funchal atingiu
13,65 euros por metro quadrado.
Para uma família que vive de salários, esta evolução tem uma consequência muito concreta: pagar a renda ocupa uma parcela cada vez mais pesada do orçamento mensal, deixando menos rendimento disponível para alimentação, energia, transportes, saúde e despesas com os filhos.
O problema agrava-se quando os salários não acompanham o custo de vida. No segundo trimestre, a remuneração bruta média mensal atingiu 1.748 euros, mas caiu 0,3% em termos reais. Ou seja, o rendimento nominal
aumentou, mas o poder de compra médio recuou.
Comprar casa também continua fora do alcance de muitas famílias. O preço mediano das transações atingiu 2.863 euros por metro quadrado na Madeira, contra 2.337 euros no conjunto do País. No Funchal chegou aos
3.601 euros por metro quadrado.
Estes números colocam uma pergunta simples: de que serve anunciar sucessivos recordes económicos e turísticos se uma família que trabalha tem cada vez mais dificuldade em pagar uma renda, comprar casa, abastecer o carro e manter o poder de compra?
O ADN Madeira reconhece que existem medidas públicas na habitação e instrumentos regionais de mitigação dos combustíveis. Mas medidas não são sinónimo de resultados. Os indicadores continuam a mostrar uma
Região onde o custo de vida pesa fortemente sobre quem reside e trabalha na Madeira, aponta o partido.
A insularidade agrava este problema. Quando sobe o combustível, o impacto não termina no depósito do automóvel. Numa Região Ultraperiférica dependente do transporte marítimo e rodoviário para grande parte do abastecimento, os custos repercutem-se nas empresas, na distribuição e, por fim, nos preços pagos pelos consumidores.
A habitação também não pode ser tratada como se a Madeira tivesse território ilimitado. A pequena dimensão insular, a orografia, os custos de construção e a pressão sobre o solo disponível exigem uma política regional mais exigente e adaptada à realidade da Madeira. No Porto Santo, a dupla insularidade acrescenta dificuldades próprias.
Para o ADN Madeira, a autonomia deve servir precisamente para responder a estas especificidades.
Propõe-se uma utilização mais exigente dos instrumentos regionais disponíveis para amortecer o custo dos combustíveis e da energia, uma aceleração efetiva da oferta de habitação permanente e acessível e a criação de um índice regional do custo de vida que permita medir quanto a insularidade pesa realmente nas despesas das famílias.
É igualmente necessário acompanhar de forma transparente a relação entre turismo, alojamento, habitação, mobilidade e capacidade das infraestruturas, sem transformar o turismo no culpado de todos os problemas, mas também sem ignorar as pressões que uma economia insular com território limitado precisa de saber gerir.
A Madeira precisa de turismo forte e de uma economia que cresça. Mas crescimento só é progresso quando uma família consegue pagar a casa, viver do seu salário e continuar a construir a sua vida na Região. Não basta a Madeira crescer nas estatísticas. É preciso que os madeirenses consigam viver melhor na Madeira, insiste o ADN.
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