A Juventude do partido Juntos pelo Povo (JPP) veio manifestar a sua “profunda preocupação” perante o adiamento da divulgação dos resultados dos exames nacionais do ensino básico e secundário, anunciado pelo Ministério da Educação.
De acordo com o Governo da República, a divulgação das classificações, inicialmente prevista para o dia 14 de Julho, foi adiada para 17 de Julho, devido a problemas verificados no novo sistema digital de classificação das provas. Em consequência, a segunda fase dos exames nacionais também foi reagendada, passando a realizar-se entre 20 e 24 de Julho. Apesar destas alterações, o Ministério mantém inalterado o calendário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior.
“Embora reconheçamos que o rigor na correção das provas deve prevalecer sobre qualquer outro interesse, não podemos deixar de lamentar que falhas de organização e de implementação de um novo sistema digital acabem por penalizar milhares de estudantes que cumpriram, com responsabilidade, todas as etapas do processo de avaliação”, diz a líder da juventude JPP, Jéssica Teles.
São os alunos que estudaram durante meses, as famílias que organizaram as suas vidas em função do calendário oficial e as escolas que prepararam todo este processo que acabam por suportar as consequências de problemas que lhes são completamente alheios, aponta.
No caso da Região Autónoma da Madeira, esta situação assume uma dimensão ainda mais preocupante.
Todos os anos, centenas de jovens madeirenses são obrigados a deixar a Região para frequentar o ensino superior no continente. A preparação dessa mudança implica a compra de viagens, a procura de alojamento, a celebração de contratos de arrendamento, a organização logística das famílias e um elevado esforço financeiro.
Embora o Ministério da Educação, Ciência e Inovação tenha assegurado que o calendário de candidatura ao ensino superior não será alterado, a verdade é que reduzir o período entre a divulgação das classificações e o início das candidaturas aumenta significativamente a pressão sobre todos os estudantes, penalizando de forma particular aqueles que vivem nas Regiões Autónomas.
“A insularidade continua a representar um conjunto de dificuldades que o Estado não pode ignorar. Enquanto um estudante do continente pode deslocar-se rapidamente à instituição onde pretende estudar, muitos jovens madeirenses têm de planear, em poucos dias, uma verdadeira mudança de vida, suportando custos elevados e enfrentando desafios que não existem para a maioria dos candidatos”, sublinha.
A Juventude do JPP tem defendido, de forma consistente, que os estudantes insulares devem ser tratados com maior justiça e que as políticas públicas de educação devem reconhecer as especificidades das Regiões Autónomas. Não basta proclamar igualdade de oportunidades, é necessário criar condições para que essa igualdade exista na prática.
Esta situação demonstra, mais uma vez, que decisões tomadas em Lisboa, sem considerar a realidade das Regiões acabam por agravar desigualdades que já existem, refere o partido.
A Juventude do JPP pretende que sejam apuradas as causas que conduziram a este adiamento, que sejam retiradas as devidas responsabilidades e, sobretudo, que sejam implementadas soluções que impeçam a repetição de situações semelhantes.
Os jovens precisam de estabilidade, previsibilidade e confiança nas instituições públicas. O seu futuro académico não pode ficar dependente de falhas técnicas ou de deficiências de planeamento da Administração Pública, reclamam.
“Investir na educação é investir no futuro do país”, acentua a líder partidária. “E esse futuro exige competência, responsabilidade e respeito por todos os estudantes, independentemente do território onde vivem”.
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