
Os professores classificadores dos exames nacionais continuam a navegar em águas muito turvas num processo que está a suscitar o desespero de muitos profissionais também na Madeira. Enquanto o Ministro da Educação proclama que tudo está controlado, os classificadores continuam a esbarrar com sucessivos bloqueios informáticos e desaparecimento de questões da plataforma. Tudo se atrasa, tudo se torna moroso e complexo, quando o processo de correção deveria ser inequívoco e célere, como sempre aconteceu.
Mais uma vez, ao que o Funchal Notícias apurou, os agrupamentos locais de exame trabalham arduamente para validar as provas em suporte informático, muitas vezes sem horário, mas também são surpreendidos com um software informático que não responde às solicitações do sistema ou não abona nada em favor da credibilidade de um processo que sempre foi pautado pelo rigor, celeridade e transparência.
Como o FN já reportou, este ano, a digitalização da correção dos exames nacionais também do ensino secundário tem acusado erros sucessivos de validação das provas. Primeiro foi o atraso na entrega dos exames para correção. Depois, tardaram em chegar as folhas de continuação das respostas. Mas continuam ainda os dias sombrios. Nesta fase do campeonato, as folhas de continuação das respostas chegaram, para gáudio dos classificadores, mas a satisfação cedeu lugar ao espanto: de súbito, o sistema bloqueou e as folhas de continuação deixaram de ser visíveis no ecrã. Desapareceram. Parar tudo e aguardar que voltem a ser visíveis…
Docentes houve que receberam mais de uma centena de respostas de uma questão/item para corrigir, mas 27 já vinham classificadas.
Segundo relata hoje o jornal Observador, duas centenas de queixas enchem a plataforma MetaPROF, com folhas de exame ilegíveis e em branco – falhou a digitalização – composições a meio porque desapareceram as folhas de continuação e professores de economia A a receber respostas sobre José Saramago.
Os classificadores continuam a reportar os erros na plataforma de supervisão da correção mas sem resposta concreta e definitiva. Há mesmo docentes que se recusam a corrigir mais provas até a clarificação plena deste processo.
O Ministro da Educação navega noutro oceano, com calmaria das águas, tendo vindo a público garantir que a correção digital das provas é o futuro e que os erros informáticos fazem parte do processo de mudança que tende a projetar Portugal na vanguarda europeia em matéria de avaliação. Um filme visto apenas pelo Ministro porque os classificadores consideram que a solução equilibrada seria anular esta digitalização e corrigir tudo no papel. Outros perspetivam que os exames possam vir a ser anulados, a bem do rigor e equidade, privilegiando-se a classificação interna dos alunos. Mas aqui também se coloca a questão dos alunos autopropostos que demandam a melhoria de nota através do exame.
Um imbróglio que tem despoletado acérrimas críticas de federações e sindicatos, mas também de pedagogos de nomeada que lamentam a forma atabalhoada e impreparada com que se partiu para a digitalização a todo o transe dos exames. Como espetadores, apreensivos e inquietos, estão os alunos e os pais, apesar do Ministro da Educação garantir a eficácia do processo, não se sabe em que datas já, a bem do rigor das correções que arrancaram com muitos atrasos e erros de software.
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