Estepilha… afinal quem é que rega os jardins do Palácio de São Lourenço?

Rui Marote
O Palácio de São Lourenço tem sido ao longo dos anos alvo de “cobiça” das entidades regionais, como sucedeu com as Fortalezas do Pico e São Tiago que foram entregues à Região. Recentemente o actual Representante da República, juiz Paulo Barreto defendeu  que o Palácio de São Lourenço deve continuar sob a tutela do Estado Português. O juiz apontou exemplos práticos de património histórico e militar que foi transferido do Estado para o Governo Regional da Madeira e que acabou por sofrer com a falta de manutenção, referindo-se expressamente aos dois exemplos supracitados.
Segundo o magistrado, estas fortificações encontram-se em estado de degradação após a passagem para a tutela regional. E no seu entender havia o risco de o mesmo acontecer ao palácio. Assim, defendeu que a melhor forma de garantir a dignidade e a integridade de um monumento com a escala do Palácio de São Lourenço é mantê-lo na esfera financeira e patrimonial direta do Estado central, blindando-o contra orçamentos regionais flutuantes ou gestões menos eficazes.
O curioso é que aparentemente é a Câmara Municipal do Funchal a “boa samaritana” que trata do jardim do Palácio.
A história da mulher samaritana encontra-se no Evangelho de João, capitulo 4. Jesus, ao passar pela região de Samaria parou para descansar  junto ao Poço de Jacó. Uma mulher chegou para tirar água, e Jesus pediu-lhe de beber. Este pedido inicial quebrou barreiras culturais e religiosas profundas pois os judeus da época não se relacionavam com os samaritanos.
Recordamos a frase “O Palácio de São Lourenço é meu, é teu, é nosso”, que fez parte de uma campanha do Diário de Notícias que visava aproximar a população local deste monumento  histórico e reivindicar a sua propriedade.
Paulo Barreto diz que o Palácio está melhor na esfera do Estado. Mas curiosamente, ontem ao subirmos a Avenida Zarco chamou-nos atenção que dois jardineiros da edilidade funchalense, devidamente uniformizados, regavam os jardins exteriores da Fortaleza.
A falta de jardineiros nos jardins públicos é uma realidade que afecta directamente a qualidade de vida nas cidades, a biodiversidade urbana e a adaptação às alterações climáticas. Cidades por todo o país enfrentam um cenário de “jardins descaracterizados” ou com sérios problemas de conservação.
Múltiplas autarquias lidam com este problema devido a fatores estruturais bem definidos. Muitos municípios viram as suas equipas de jardineiros encolher drasticamente nas últimas décadas. No Funchal, a autarquia já reconheceu em diversas ocasiões que a Divisão de Jardins e Espaços Verdes Urbanos tem recursos manifestamente insuficientes para a vasta extensão verde da cidade.
O Estepilha não sabe se nos quadros de pessoal do Palácio está contemplado um trabalhador jardineiro. E  se o exército tem a especialidade de “jardineiro”, também desconhecemos… No nosso tempo, durante as recrutas, o comandante de pelotão perguntava aos mancebos: “Quem sabe escrever à máquina?” 50% levantava o braço. Eram escolhidos cinco ou seis e entregava-se uma vassoura de urze para varrer a parada. Hoje a tecnologia é outra em vez da maquina de escrever pergunta-se “quem sabe trabalhar com o computador”…
O Estepilha pergunt:  e no interior do Palácio quem faz essas tarefas ???  Como sempre temos uma história para recordar, do “reinado” do segundo Ministro da República para a Madeira, em 1991-1997, o almirante Artur Rodrigues Consolado.
Sendo um homem do mar  e enquanto permaneceu  na Fortaleza de São Lourenço resolveu plantar couves, alfaces tomates, pimpinelas uma verdadeira horta em que os baluartes foram preenchidos com terra.  Funcionavam como terraços elevados suspensos e estendiam o andar nobre do edifício, oferecendo áreas verdes com vista para a cidade e para a Avenida Arriaga.
Quando Monteiro Diniz chegou viu-se e desejou para acabar com a “horta” uma vez  que as sementes  se reproduziam. Toda aquela terra teve de ser removida. Hoje as flores voltaram.
Enfim, regista-se a solidariedade da CMF com o Estado, mas há dois pesos e duas medidas… Aos jardins da Praça do Povo, sob alçada da APRAM o Município não presta assistência e nos quadros dos portos também não há jardineiros, o que é natural….
O Estepilha apelidou em tempos a APRAM de “madrinha dos pobres” por assumir muitos custos que seriam responsabilidade de outras entidades. Mas há que não esquecer os milhares de euros que os portos entregam aos cofres da Câmara, da taxa cobrada aos passageiros que desembarcam na Madeira…

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