Descalabro na correção dos exames nacionais com classificadores sem folhas de continuação e com exames misturados

Descalabro é a palavra que pode definir neste momento o processo de classificação dos exames nacionais deste ano, com os professores classificadores a desesperarem com os inúmeros problemas que a novel classificação digital continua a gerar. Neste momento, há docentes a ponderar preencher o documento de escusa de responsabilidades face aos sucessivos constrangimentos que têm encontrado este ano na correção dos exames nacionais de 11.º e 12.º anos de escolaridade, incluindo também as provas de 9.º ano.

Um imbróglio com dimensões inquietantes porque este ano as provas digitais chegaram em força a todos os exames nacionais do ensino secundário. Tradicionalmente, a coordenação nacional de exames fazia chegar aos docentes um pacote individualizado de dezenas de provas, em papel e anónimas para a respetiva correção também em papel e lançamento dos resultados em grelhas digitais. Este ano, o Ministério da Educação, através da coordenação EduQA-Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação,  apostou todas as fichas na digitalização da correção dos exames e o caos está instalado no sistema. O professor já não corrige provas na íntegra mas uma ou duas questões (ou itens).

O exame nacional de português de 12.º ano foi o primeiro a ser efetuado pelos estudantes, a 16 de junho, e os classificadores já os começaram por receber com dias de atraso. Mas não só. Os docentes só estão a receber uma parte ainda muito reduzida da totalidade dos itens que têm de corrigir, com a agravante de não terem recebido as folhas de continuação das respetivas respostas que nem foram scaneadas nem acopladas à questão principal. Como se não bastasse, há provas de economia misturadas com as de português, o que deixa atónitos os classificadores confrontados com um processo sem precedentes. Um ambiente de tensão que afeta e muito a serenidade e concentração dos classificadores que veem o futuro com grandes reservas e que está a ser alvo de duras críticas por sindicatos e pedagogos.

A plataforma digital que faculta aos classificadores as provas para correção está ativa mas não consegue dar resposta às centenas de questões dos docentes face à confusão instalada com pacotes de exames incompletos e misturados com provas distintas e incompletas.

A data de entrega da correção dos exames à coordenação das provas foi adiada para 10 de julho e mantém-se a previsão de divulgação dos resultados da primeira fase nacional para 14 de julho. Datas que não deverão cumprir-se dados os sistemáticos atrasos e itens incompletos que se fazem chegar aos classificadores sem que da parte do Ministério da Educação haja qualquer comunicado ou uma palavra do próprio Ministro da Educação ou Primeiro Ministro.

A continuar estes problemas, os classificadores também da Madeira colocam dúvidas face ao real cumprimento dos prazos definidos para a entrega final das provas corrigidas da primeira fase dos exames nacionais, o que também coloca em questão o subsequente gozo de férias dos docentes, autorizado entre 7 e 13 de julho, como é hábito. O alcance destes problemas pode até mesmo colocar em causa a correção dos exames da segunda fase, em julho, o que aumenta o clima de insatisfação e de dúvidas sobre a data certa da divulgação dos resultados da primeira fase de exames e todo o processo de acesso ao ensino superior. Para já, a resposta oficial é a de que estão a tentar suprir erros técnicos da digitalização das provas.


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