Ana Teresa Pereira semifinalista do Prémio Literário Oceanos, que já ganhou em 2017

Agora, foi novamente escolhida para figurar como candidata a este prémio, criado em 2003 pela antiga Portugal Telecom. Designava-se então Prémio Portugal Telecom de Literatura, mas mudou de nome em 2015, para “Oceanos”.  Actualmente é administrado e atribuído pela Associação Oceanos em parceria com o Itaú Cultural (instituto cultural sem fins lucrativos criado em 1987 pelo Itaú Unibanco). O Prémio conta com apoios institucionais de governos lusófonos, como a Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) em Portugal.
Os autores seleccionados em língua portuguesa apresentam tanto prosa como poesia, e situam-se entre um mais amplo universo de 54 semifinalistas.

De acordo com a agência Lusa, a organização do prémio refere que há 26 semifinalistas na prosa e 28 na poesia, entre autores de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal.

De Portugal, na prosa, podem citar-se “A Chuva que Lança a Areia do Saara”, de Ana Margarida de Carvalho, “Have Ya Got Any Castles, Baby”, de Ana Teresa Pereira, “Matilde”, de H. G. Cancela, “Mundo, pára quieto”, de Ricardo Araújo Pereira, “Não é ainda o pânico”, de Rui Nunes, “O Mel sem Abelhas”, de Judite Canha Fernandes, e “Quem Tem Medo dos Santos da Casa”, de Sara Brandão Duarte.

Na mesma categoria, são semifinalistas “Recordações e Andorinhas”, de J. Rentes de Carvalho, “Se não me quiseres amar agora no Inverno, quando?”, de António Cabrita, e “Todas as Famílias Felizes”, de Miguel d’Alte, refere a agência noticiosa portuguesa.

Segundo a mesma fonte, os autores portugueses figuram a par de obras de brasileiros como Milton Hatoum, Bruna Dantas Lobato e Aline Bei, ou de moçambicanos como João Paulo Borges Coelho, Énia Lipanga e Lucílio Manjate ou do angolano José Eduardo Agualusa.

São semifinalistas na poesia os portugueses “As Mãos”, de Rui Teixeira Motta, “Coisa de nada”, de Duarte Drumond Braga, “Corpos da Memória”, de Helder Macedo, e “Terreno”, de Duarte Scott.

Na lista poética estão ainda obras de Adriana Lisboa, Danilo Villa, Nina Rizzi ou Ivana Fontes, do Brasil, a par de dos moçambicanos Zacarias Nguenha, Ben Jone, Britos Baptista, Pedro Pereira Lopes e Whaskety Fernando.

A próxima fase do prémio passará pela avaliação das obras por um júri intermédio que, na prosa, é composto por Álvaro Taruma, de Moçambique, João Fernando André, de Angola, Carola Saavedra e Felipe Munhoz, do Brasil, e Sara Figueiredo Costa e José Mário Silva, de Portugal.

Na poesia, o júri é constituído por Leopoldina Fekayamãle, de Angola, Francisco Guita Jr., de Moçambique, Fernando Paixão e Natasha Félix, do Brasil, e Maria Antónia Oliveira e Maria João Cantinho, de Portugal.

O júri seleccionará cinco finalistas em cada categoria, que depois serão avaliados por jurados internacionais, refere a organização.

O Prémio Oceanos é dedicado “a obras literárias escritas em língua portuguesa e publicadas em qualquer lugar do mundo”.

Surpreendida com esta nomeação, Ana Teresa Pereira escreveu na sua página do facebook, em inglês, que isto era uma surpresa. “Pensava que ninguém tinha lido a minha “novela não terminada” sobre velhas histórias, velhas canções, Cornell Woolrich e eu”, confessou.

Cornell Woolrich foi um escritor norte-americano de romances e contos que escreveu também, entre outros pseudónimos, com o de William Irish, e que é muito admirado e fonte de inspiração para a escritora madeirense.
Se Ana Teresa Pereira vencesse outra vez o Prémio Oceanos, não seria a primeira vez que conquista o mesmo prémio literário duas vezes. De facto, ganhou duas vezes o Prémio Literário Cidade do Funchal (Edmundo Bettencourt).
Entre outras distinções literárias, acumula o Prémio Caminho de Literatura Policial (1989), com “Matar a Imagem”, o Prémio do Pen Clube Português para a ficção (“Se nos encontrarmos de novo, 2004) e o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (“O Lago”, 2011). Conquistou ainda o Prémio Máxima de Literatura (2006) com “A Neve”, também vencedor, no Funchal, do Prémio Edmundo Bettencourt.
Ana Teresa Pereira, epítome da discrição e mesmo da “reclusão” literária, muito raramente aparece em público mas construiu uma obra que se afirma por si própria no panorama cultural português, marcada por inúmeras referências culturais e artísticas, e que tanto encontra inspiração nas formas mais altas e dignas da arte como se estende aos domínios da cultura popular com contos de crime, “westerns” e pulp fiction, expressões que não desdenha. Tudo temperado por uma forte tendência anglófila e marcado por forte influência do cinema e do teatro.

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