Espólio de Herberto Helder hoje distribuído entre o Porto e Lisboa; Madeira ficou à margem

Rui Marote
O FN abordou recentemente o mau estado de uma placa homenageando o grande poeta madeirense Herberto Helder. Vem a propósito recordar que a RAM não logrou assegurar, como anunciado, que o espólio do poeta ficasse na ilha.
A 18 de julho de 2019, Paula Cabaço, secretária Regional do Turismo e Cultura anunciou à margem da inauguração da exposição biobibliográfica “Herberto Helder – por sobre as águas”, na Casa Museu Frederico de Freitas  (uma exposição integrada nos 600 Anos  do Descobrimento das Ilhas da Madeira e Porto Santo) que o GR pretendia adquirir o espólio do autor.
Na altura Paula Cabaço sublinhou que os “contactos para aquisição da Biblioteca particular do autor já se tinham iniciado e que de decorria nesse momento a fase de inventariação de todo o espólio, composto por centenas e centenas de obras, após a devida avaliação, que constará da proposta de aquisição, pelo Executivo, à respectiva família”.
Paula Cabaço fez questão de valorizar a informação reunida sobre aquele que foi, sem dúvida, o maior escritor português da segunda metade do século passado, frisando que a exposição em causa era uma grande homenagem a um grande madeirense que não poderia ficar à margem dos 600 anos.
O Governo Regional pretendia adquirir a biblioteca particular de Herberto Helder e esperava que todo esse espólio estivesse disponível no Centro de Estudos da História do Atlântico – Alberto Vieira.
Aconteceu que esse “filme” não chegou a ser rodado na Madeira, a claquete do realizador não chegou a sair de Lisboa e o negócio com a família não se concretizou.
O espólio e a biblioteca pessoal do poeta Herberto Helder estão hoje ivididos entre Lisboa, o Porto (em formato digital). A colecção pessoal do autor, com cerca de oito mil volumes e traduções, está guardada na Biblioteca Palácio Galveias (no Campo Pequeno), integrada numa sala própria com o nome do poeta aberta para consulta local. Acervo Documental (Porto): Mais de dois mil documentos e imagens do espólio literário foram digitalizados e disponibilizados para consulta na biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), num projecto apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Na Madeira ficamos pelas homenagens públicas como a placa comemorativa com o poema «Ilha em forma de cão» situada nos jardins da Fortaleza do Pico, que, como dissemos, passou do louvor ao abandono, e a placa na casa onde nasceu na Rua da Carreira  284 que  sofre da mesma doença da do Pico Castelo: falta de limpeza  devido a oxidação.
Enfim, foram promessas não concretizadas, e que geram frustração na comunidade cultural madeirense.
O museu do Max segue as mesmas pegadas. Foi assinado há mais de oito anos um protocolo original com a família do artista para criar um espaço museológico que integrasse os bens. O museu deveria nascer num edifício  histórico na Rua de São Pedro, próximo da ultima residência onde viveu  Max antes de fixar permanência em Lisboa. O espaço acabou por ser temporariamente ocupado pelas Sociedades de Desenvolvimento da Região, arrastando as obras numa paralisia . O museu de Max segue  exactamente o mesmo roteiro de atrasos e promessas por cumprir  que afecta o património dos grandes vultos  da ilha.
Enquanto o espaço físico não se concretiza, a preservação do legado de Max e da música tradicional da ilha permanece num limbo institucional, reforçando  o descontentamento dos madeirenses face à gestão do património dos seus filhos mais ilustres. É caso para dizer: se não conseguimos tomar conta das placas que homenageiam os filhos ilustres da ilham quanto mais os  acervos…

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