Arte Nova dava nota moderna ao Funchal de outros tempos

Rui Marote
O Funchal tem alguns imóveis influenciados pela Arte Nova, que, na altura, davam uma nota de modernidade ao Funchal. Hoje restam poucos. Arte Nova (ou Art Nouveau) foi um movimento artístico internacional que surgiu no final do século XIX para rejeitar os estilos antigos e imitações do passado, focando-se em formas orgânicas inspiradas na natureza. Ocorreu  aproximadamente entre 1880 e 1920 tendo o seu auge antes da Primeira Guerra Mundial. Começou na Europa (com forte impacto na Bélgica ,França e Inglaterra) como uma reacção contra a arte académica.
O objectivo era unir a beleza estética à utilidade prática ,colocando o design artístico em objectos do quotidiano ,na arquitectura e no mobiliário. Chegou a Portugal muito tarde por volta 1905 e durou até 1920.
Na Rua da Conceição, na rectaguarda da Capela do Bom Jesus quem sobe lado direito, encontra um imóvel devoluto com as janelas cerradas a blocos, construído a partir de 1890, que guarda exemplos notáveis da arquitectura tradicional e de influências decorativas do início do século XX, como belos revestimentos cerâmicos e sacadas trabalhadas. As fotos que publicamos mostram os frisos e barras de azulejos decorativos conferem cor e identidade às fachadas históricas da rua. A varanda de ferro forjado no ultimo andar reflectem o estilo construtivo clássico e romântico da época na Madeira. Estes imóveis fazem parte do charme urbano do centro histórico do Funchal. No centro histórico do Funchal, os imóveis com relevância arquitectónica e inseridos na Zona de Reabilitação Urbana (ARU) ou protegidos pelas Certas do Património da Câmara Municipal do Funchal, não podem ser demolidos, mesmo que estejam totalmente devolutos ou degradados.
Existem mecanismos  de protecção mas temos as nossas dúvidas se estão a ser aplicados.
Para evitar o abandono prolongado, a autarquia aplica um agravamento progressivo do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), que pode triplicar ou aumentar até 10 vezes para prédios declarados como devolutos em zonas prioritárias
Há ainda incentivos à recuperação. Proprietários ou investidores que comprem estes imóveis na Rua da Conceição para restauro têm acesso a fortes benefícios fiscais na Zona ARU, como isenção ou redução de IMT e IMI, além de taxas de IVA reduzidas para as obras.
Também nas Ruas João Gago e Rua do Cabido, o edifício ocupado  pela Direcção Regional do Trabalho e pelo restaurante “O Calhau”, o imóvel tem uma barra de azulejos que passam despercebidos dos que por ali circulam datado de 1920, produzido pela icónica Fábrica de Loiça de Sacavém com fortes traços do período da Arte Nova que reflectem o crescimento económico da burguesia madeirense e a influência das correntes estéticas europeias.
O uso da cantaria regional também é de assinalar. Nas molduras das janelas e portas  de edifícios como este da Rua das Hortas (ver fotos) utilizava-se frequentemente o basalto cinzento (pedra da Madeira), o que servia tanto como símbolo de status quanto como isolante prático para o clima atlântico da ilha.
Aqui fica esta anotação sobre uma curiosidade que muitos madeirenses desconhecem. São pequenos tesouros culturais que enriquecem as cidades.

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