A Juventude do Juntos pelo Povo (JJPP) desafiou esta quarta-feira o Governo Regional PSD/CDS a criar um complemento regional ao alojamento para estudantes madeirenses deslocados, numa altura em que os elevados valores das rendas no continente estão a tornar-se numa nova barreira ao acesso e permanência no ensino superior.
O jovem quadro da JJPP, Alexandre Gomes, considera que os preços praticados actualmente, sobretudo na Grande Lisboa e no Porto, estão “completamente descontrolados”, colocando uma pressão financeira acrescida sobre as famílias madeirenses.
“Estamos a falar de jovens que, na esmagadora maioria dos casos, não se deslocam para o continente por opção. Fazem-no porque não encontram na Madeira a oferta formativa de que necessitam. Não podemos permitir que, depois de conseguirem uma vaga no ensino superior, encontrem no preço de um quarto uma nova barreira para concretizar o seu percurso académico”, afirmou.
Apesar de reconhecer o apoio concedido pelas Câmaras Municipais da Região, a JJPP entende que existe uma parte significativa das famílias, sobretudo da classe média, que continua sem uma resposta adequada devido aos critérios de acesso aos atuais apoios.
Nesse sentido, a estrutura jovem do JPP desafia o Governo Regional PSD/CDS a avançar com um Complemento Regional ao Alojamento, que tenha em consideração os valores médios praticados para quartos no distrito onde o estudante frequenta o ensino superior.
A proposta prevê um apoio progressivo em função do rendimento do agregado familiar, através do escalão de IRS, abrangendo até ao quinto escalão. Para os estudantes já abrangidos por uma bolsa da DGES, o apoio teria carácter complementar, permitindo cobrir a diferença entre o valor atribuído pela bolsa e o teto definido pelo Governo Regional. Para os estudantes não bolseiros, o apoio teria em consideração a capacidade financeira e a necessidade de cada agregado.
Para Alexandre Gomes, “a classe média não pode continuar esquecida” e o Governo Regional deve assumir um papel mais ativo na redução dos custos associados à deslocação dos jovens madeirenses para o continente.
“Estamos numa Região ultraperiférica, onde a insularidade já representa um custo adicional para as famílias. Quando a isso juntamos rendas que podem atingir valores incomportáveis, alimentação, transportes e viagens entre a Madeira e o continente, estamos a falar de um esforço financeiro que muitas famílias não conseguem suportar”, referiu.
A JJPP defende, por isso, que esta é uma questão de equidade territorial e igualdade de oportunidades, considerando que nenhum jovem madeirense deve ser condicionado no acesso ao ensino superior pela sua capacidade financeira para suportar uma renda no continente.
Para Alexandre Gomes, “a classe média precisa da tutela regional e os estudantes precisam do Governo Regional”.
“É tempo de eliminar as barreiras que retiram igualdade de oportunidades aos madeirenses. O local onde um jovem nasce não pode determinar até onde consegue chegar”, conclui.
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