“Conversas com a Sociedade” reforçam preparação da Madeira para eventos extremos

A sessão de encerramento das “Conversas com a Sociedade”, promovidas pela Região Madeira da Ordem dos Engenheiros, ficou marcada por uma mensagem clara de reforço da prevenção, da capacitação técnica e da cooperação institucional como instrumentos essenciais para tornar a Região Autónoma da Madeira cada vez mais resiliente perante fenómenos extremos.

O encerramento, presidido pela secretária regional de saúde e proteção civil, reuniu especialistas, técnicos, responsáveis políticos e representantes de várias áreas ligadas à proteção civil e à gestão do risco, num debate centrado na necessidade de antecipar ameaças e fortalecer os mecanismos de resposta.

Na intervenção de encerramento, Micaela Freitas sublinhou que “é na prevenção que tudo começa”, considerando este princípio “o primeiro pilar da resposta e a base sobre a qual se constrói a proteção das pessoas, dos bens e do território”.

A governante reconheceu a elevada capacidade operacional dos profissionais da proteção civil e dos agentes de socorro, afirmando que “ninguém tem dúvidas de que somos excelentes no socorro”, mas alertou que os desafios atuais obrigam a uma nova abordagem centrada no conhecimento do território, na monitorização permanente e na mitigação do risco.

“A prevenção não é um estado concluído, é um processo contínuo”, afirmou, defendendo a necessidade de atualização constante dos planos de emergência, reforço da monitorização meteorológica e geológica, investimento em infraestruturas resilientes e políticas responsáveis de ordenamento do território.

Ao longo da sessão, foi várias vezes sublinhada a importância da cooperação entre instituições e da articulação entre conhecimento técnico e decisão política. A secretária regional destacou que preparar a Região para eventos extremos “é um compromisso ético com o futuro”, acrescentando que “é agir antes da emergência, investir antes da catástrofe e decidir com base no conhecimento e não apenas na reação”.

Micaela Freitas salientou ainda que a Madeira “tem capacidade, conhecimento e vontade para continuar a reforçar a sua resiliência”, embora reconhecendo que esse caminho exige continuidade das políticas públicas, visão estratégica e uma cultura coletiva de responsabilidade partilhada.

Também presente no debate, Pedro Garrett defendeu uma abordagem mais integrada da adaptação climática e da gestão territorial, alertando que os territórios insulares enfrentam riscos cada vez mais complexos associados às alterações climáticas.

O cofundador da empresa de modelos de monitorização 2 adapt considerou que a preparação das regiões passa não apenas pela resposta operacional, mas sobretudo pela capacidade de antecipação e planeamento. “A resiliência constrói-se antes da emergência”, referiu, defendendo que os investimentos em prevenção representam “um ganho direto em segurança, sustentabilidade e proteção das comunidades”.

Pedro Garrett destacou igualmente a importância dos dados, da tecnologia e da modelação de cenários de risco para apoiar a tomada de decisão, defendendo que os fenómenos extremos obrigam a uma leitura multidisciplinar e a uma maior integração entre engenharia, ambiente, ordenamento do território e proteção civil.

“Hoje, gerir risco significa também adaptar cidades, infraestruturas e comportamentos”, afirmou, considerando essencial aproximar o conhecimento científico das políticas públicas e das decisões operacionais.

Na reta final da sessão, Micaela Freitas voltou a insistir na importância do Planeamento de Emergência e da articulação entre todas as entidades envolvidas, defendendo um modelo capaz de responder eficazmente em cenários críticos.

“A eficácia da nossa resposta depende da força da nossa rede”, afirmou, destacando o papel dos serviços de proteção civil, bombeiros, entidades públicas e privadas, estruturas de apoio social e organizações técnicas.

A governante agradeceu ainda o contributo da Ordem dos Engenheiros na promoção de um debate “responsável e tecnicamente qualificado”, recordando que “a proteção civil começa em cada um de nós, cidadãos”.

Já a presidente da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Engenheiros, Beatriz Jardim, encerrou os trabalhos destacando três ideias centrais que marcaram o encontro: prevenção, capacitação e cooperação.

“Este foi também um exercício de cooperação entre várias especialidades”, afirmou, defendendo que a segurança coletiva depende “de uma união de esforços, de um compromisso e de uma responsabilidade partilhada”.

Beatriz Jardim anunciou ainda o regresso das “Conversas com a Sociedade” já no próximo mês de setembro, reafirmando o compromisso da Ordem dos Engenheiros em continuar a promover espaços de reflexão sobre os grandes desafios da Região Autónoma da Madeira.


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