A Câmara Municipal do Funchal, através da Divisão de Juventude, apresentou esta sexta-feira, no Salão Nobre, a II edição da campanha de prevenção da violência no namoro sob o lema #ViolênciaNãoExpressaAmor.
Na sessão de apresentação, a vereadora com o pelouro da Juventude, Helena Leal, referiu que o objectivo da campanha é “alertar consciências e sensibilizar para as diferentes formas de violência no namoro, promovendo relações afectivas saudáveis, baseadas no respeito, na igualdade, na reciprocidade e na liberdade”.
A autarca mencionou que, apesar de muitas situações continuarem invisíveis, os dados regionais e nacionais revelam que a violência no namoro é uma realidade cada vez mais reconhecida e que exige a atenção da sociedade, em particular dos decisores políticos.
De acordom com a PSP, em 2025 foram registados 575 casos de violência doméstica na Região Autónoma da Madeira, dos quais cerca de 100 dizem respeito a situações ocorridas em contexto de namoro ou pós-namoro. Por sua vez, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) reporta que, entre 2022 e 2025, apoiou mais de quatro mil pessoas em situações de violência no namoro.
Para Helena Leal, estes números impõem uma actuação proactiva, com reforço da prevenção, da educação e da intervenção precoce. “É importante distinguir o que é amor e o que não é amor”, afirmou, alertando para a tendência de alguns comportamentos abusivos, como o controlo, os ciúmes excessivos, a perseguição, os insultos ou a chantagem emocional, serem confundidos com demonstrações de afecto.
A campanha assume como mensagem que “amor que fere não é amor” e inclui a colocação de cartazes em vários pontos da cidade, bem como a divulgação de conteúdos digitais, vídeos curtos, testemunhos e informação sobre sinais de alerta e recursos de apoio.
Entre os objectivos definidos estão: informar os jovens e as famílias sobre as várias formas de violência, física, psicológica, sexual, social e digital, desconstruir mitos e estereótipos que normalizam comportamentos disfuncionais e incentivar a denúncia, reforçando que a violência no namoro é crime e que as vítimas não estão sozinhas.
A iniciativa conta com a participação de 14 figuras conhecidas da sociedade madeirense, particularmente junto da população juvenil, que aceitaram associar-se à campanha e dar a cara pela mensagem.
Após a apresentação, decorreu, na Sala da Assembleia Municipal, uma acção de sensibilização dinamizada pela psiquiatra Frederica Passos.
Além destas iniciativas, o Município do Funchal dará continuidade do projecto “Educa-te” nas escolas ao longo do ano e o lançamento de um novo projecto de podcasts temáticos da Divisão de Juventude.
Helena Leal disse que combater a violência no namoro é também um passo essencial na prevenção da violência doméstica no futuro e na construção de uma cultura de maior respeito e igualdade entre homens e mulheres.
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