Rui Marote
A 28 de Setembro de 2018 o nosso colaborador Nelson Veríssimo lançou um SOS num artigo de opinião publicado no FN: “Recolhimento do Bom Jesus: até à
ruína total?” Não se tratou de uma profecia. Tratava-se de um alerta para a necessidade da recuperação deste histórico prédio situado no Funchal. No entanto, parece que “é mesmo até a ruína total”. Sete anos já lá vão e tudo ficou na mesma, nem uma palha foi movida. A degradação do imóvel não é profunda mas sim profundíssima. E recordemos que já anteriormente, a 13 de Março de 2017, Rosário Martins, no FN, denunciava a situação deste prédio e de outros imóveis da igreja nos seguintes termos: “Também não se conhecem movimentações firmes e publicamente assumidas do clero para apelar a este restauro, ou então, eventuais candidatura a fundos nacionais e comunitários para recuperar tanto património degradado”.
Este é um edifício do século XVII que iniciou a sua actividade em 1666 com 25 recolhidas. Conforme lembrava Nelson Veríssimo, esta casa abrigava “fêmeas arriscadas a enganos do mundo e moças pobres arriscadas”, segundo documento daquele ano. Era um recolhimento com fins filantrópicos, dirigido por uma regente eleita cada triénio. Apesar de não se tratar de um convento, as recolhidas tinham diariamente de cumprir diversas obrigações religiosas. Mas não estavam afastadas da vida secular.
O recolhimento sobreviveu por mais de três séculos e já não vivem ali mulheres marginalizadas pela família ou pela sociedade, lembrava ainda o historiador Nelson Veríssimo.
O caso é que o edifício encontra-se virtualmente esquecido e quase abandonado no centro histórico da Sé.
A Diocese possui uma série de edifícios arruinados no Funchal. Livrou-se do Seminário da Encarnação, o Governo recuperou a Capela de São Paulo com cerca de 400 mil euros e a capela continua encerrada, à espera que apareça um benfeitor que pague a recuperação dos altares.
São tantos os edifícios a recuperar que é natural que não haja dinheiro para todos. Mas ficar de braços cruzados à espera que caia maná do céu, só no tempo de Moisés. E mesmo assim, Deus também enviou fogo que destruiu uma parte do acampamento israelita como punição pelo mau comportamento do povo…
Hoje há candidaturas a fundos da União Europeia para património que ameaça converter-se em ruínas. Estar à espera do Governo é fácil. É preciso não esquecer que somos um estado laico…
Entretanto a torre está em estado periclitante e o Inverno aproxima-se. O edifício
irá novamente apanhar provavelmente com muitas infiltrações de águas pluviais e a falta de arejamento.
O edifício continua sem a merecida atenção do seu proprietário e da entidade que tutela o património regional. A nossa história está ameaçada e a continuar assim não restará pedra sobre pedra. Quem tem ouvidos que ouça…
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