Estepilha: Ao fim de 50 anos cumpre-se a “profecia” do Sr. Feliz e do Sr. Contente

Rui Marote

Surgiu em 1975, no programa “Nicolau no País das Maravilhas” da RTP. Nicolau Breyner (Sr. Feliz) e Herman José (Sr. Contente) completam no próximo dia 28 de agosto meio século a fazer parte do imaginário popular em Portugal.

A dupla ficou famosa e interagia com o público com a provocadora frase cantarolada “Diga à gente, dia à gente, como vai este país?”. Trajavam de cor preta, bigodinho, chapéu de coco e bengala imitando o ator Charles Chaplin – Charlot.

Eles ironizavam modificando a letra, num diálogo entre as duas personagens que se traduzia num autêntico “sketch”. “Como passa Sô Contente/Como vai senhor Feliz/Diga à gente /Diga à gente/Como vai este país?”

O Estepilha rebobina a fita do tempo, e vê atualidade na premonição profética do Sr. Contente e do Sr. Feliz. Readaptando a letra, dir-se-ia:  “Para onde vai esta Madeira?”

Um dia destes, observamos nos jardins da Praça do Povo três funcionários de limpeza da APRAM com uma máquina de pressão de água “a dar banho” às passadeiras de cor vermelha no meio daquelas ervas, com dois “supervisores” a orientarem os trabalhos.

Questionámos: É preciso esfregar um detergente para tirar o negrume? Resposta imediata: Se aplicássemos o produto o Sr. amanhã estava a escrever e o Raimundo Quintal a manifestar-se. Há produtos e produtos! Os amigos estão a lavar a cara e não lavam o “rabo” – gargalhada.

Alguém, cansado, respondeu: Isto é uma escravidão!

O número de beatas de cigarro levado pela água e as pastilhas elásticas agarradas ao chão estão fora de controlo. Somos a Singapura do Atlântico, lembram-se da utopia? Mas, ao menos, numa coisa poderíamos ser a Singapura, aplicando a legislação desse país. Para prevaricadores de beatas ao chão e outras porcalhices na via pública, apanham logo uma “rifa” de $500 dólares.

Vamos continuar por aqui, pela Avenida do Mar, a nossa frente-mar. A Empresa de Eletricidade permite extensões dos postos de iluminação pública (ver fotos) para consumo nos quiosques da Horários do Funchal, com cabos elétricos aéreos e o mesmo se passa com os quiosques da Câmara do Funchal.

Os globos de vidro dos postos de iluminação (ver foto) de tão conspurcados que estão, a luz que irradia é uma autêntica penumbra. Estepilha, água e sabão chegavam e não fazem mal a ninguém.

No passeio norte da Avenida, o contentor da “Horários Funchal”, junto ao edifício da alfândega, instalado no tempo de Nuno Homem Costa para venda automática do “Giro”, está hoje desativado. Não é preciso nem detergente nem água e sabão para o desmontar, e devolvia mais dignidade e espaço público à cidade.

Um pouco mais à frente, uma “casota” degradada da transportadora “Rodoeste” (ver foto), há muito devia estar na lixeira da Meia Serra.

Junto às paragens dos autocarros, postos de ferro que antes suportavam os painéis eletrónicos estão desativados, são autênticos mastros, inestéticos e inúteis, implantados nos passeios.

Aqui fica esta série de reparos. O Estepilha pede que “digam à gente” quando é que as entidades apresentam uma resolução para que a nossa “sala visitas” não seja uma montra de ferro velho e quinquilharias.


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