
O PS-Madeira defendeu ontem a criação de mercados locais que permitam aos produtores vender diretamente aos consumidores, reduzindo a dependência de intermediários e aumentando os rendimentos de quem se dedica à agricultura.
A posição foi assumida pela presidente do partido, Célia Pessegueiro, durante uma visita à Festa da Cereja, que decorreu neste fim de semana na freguesia do Jardim da Serra, onde ouviu as preocupações dos produtores relativamente à reduzida margem de lucro obtida com a venda da cereja regional. Segundo a líder socialista, “Os nossos agricultores têm dos rendimentos mais baixos do país, e, se em condições normais, a criação destes espaços de venda direta aos consumidores seria importante para valorizar os seus rendimentos, agora, com a conjuntura marcada pelo aumento do custo de vida, esta medida torna-se ainda mais premente”.
Célia Pessegueiro criticou ainda a falta de incentivo do Governo Regional à cultura da cerejeira, alertando para o abandono gradual desta produção por parte de alguns agricultores, que têm optado por culturas consideradas mais rentáveis como a da anoneira. “À medida que as cerejeiras vão morrendo, os produtores já não renovam os pomares, porque esta é uma produção muito trabalhosa, pouco rentável e que não é devidamente recompensada. Quem quer tirar ganho da terra, tem apostado em culturas mais lucrativas”, constatou.
A presidente do PS-Madeira manifestou igualmente preocupação com os impactos das alterações climáticas na produção de cereja, criticando a falta de estratégia do Governo Regional para fazer face a uma realidade que já era previsível. Como afirmou a presidente do PS-M, durante muito tempo, o Executivo negou o problema das alterações climáticas e perdeu a oportunidade de trabalhar no sentido da mitigação dos seus efeitos, neste caso concreto, na cultura das cerejeiras. “Há muito tempo que já se deveria ter optado pela aposta em variedades de cerejeiras mais resistentes e práticas produtivas que melhor adaptem a produção às alterações climáticas”, afirmou, apontando o dedo à inércia governativa.
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