Memórias: Wilson Brasil, criador do prémio “Gandula” na Madeira

Recentemente todos os orgãos de informação desportivos, televisões e rádios, destacaram o “apanha bolas” de serviço no estádio dos Dragões, e a rapidez com que entregou a bola para lançamento lateral que deu a vitória aos dragões frente aos guerreiros.
Os Festejos foram de tal ordem que o protagonista apanha bolas foi abraçado pelo goleador, restantes jogadores e treinador. No final do jogo foi recebido no balneário e o melhor jogador em campo, Nico Gonzalez, fez questão de incluir nas celebrações do troféu esse apanha bolas.
O acontecimento trouxe-me recordações do emigrante madeirense Agostinho Gouveia,  em finais dos anos 70, residente na cidade São Paulo -Brasil, proprietário da Agência de viagens Gouvetur, que realizava duas vezes por ano a caravana da saudade.
No Natal, com saída no dia 26 de Dezembro de Campinas do aeroporto Vira Copos  em voo directo da Tap, num Boeing 707 para o Porto Santo e com transbordo em dois voos 727 para Santa Cruz, a viagem era uma tradição. No Verão a operação repetia-se para a Festa da Senhora do Monte. A volta ficava em aberto e os emigrantes regressavam quando assim o desejavam.
O Jornal da Madeira foi pioneiro na cobertura destas “caravanas da saudade”, devido a uma grande amizade com o jornalista Ernesto Rodrigues. Efectuei uma serie  de chegadas e hoje recordo  a chegada ao aeroporto de Santa Catarina do radialista Wilson Brasil, a convite do nosso conterrâneo.
Ao assistir ao jogo televisivo Porto-Braga e ao acontecimento mais relevante  que deu origem ao golo dos portistas, lembrei-me de Wilson Brasil, jornalista, radialista e escritor que faleceu a 15 de Março de 2001 .Wilson Brasil era o jornalista que gostava de fazer o bem.
O apanha bolas no Brasil chama-se Gandula. Wilson Brasil instituiu precisamente um trofeu com esse nome que pretendia exaltar a humildade que simboliza a grandeza do desporto. Criou-o em São Paulo, em 1973, com o objectivo de beneficiar e homenagear em vida os que eram dele merecedores. Veio a Portugal no inicio dos anos 80, numa dessas “excursões da saudade” de Agostinho Gouveia. Viajou para Lisboa e atribuiu à claque Juventude Leonina de Portugal o prémio.
Atribuía todos os anos centenas de troféus. Quem ganhasse 5 gandulas recebia o Gandulão e assim sucessivamente. Ninguém faltava: durava horas e horas o espectáculo. Não era o prémio que interessava, em si, era a humildade daquele velhote, que com tanto carinho homenageava os merecedores do desporto. Pela mão do madeirense Agostinho Gouveia a Madeira foi trampolim para este radialista instituir os Gandulas no desporto nacional. Nos dias de hoje foram esquecidos, mas recentemente ficaram vivos na minha memória.

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