Medico especialista de Ortopedia com diferenciação em patologia / cirurgia da coluna vertebral:
– Spine Center – Cirurgia da Coluna em Coimbra
– Clinica médica da Ajuda, Funchal – Madeira
Obtenção do European Spine Course Diploma pela Eurospine foundation em 2022 A coluna Vertebral é um segmento anatómico que se associa a inúmeras alterações degenerativas e traumáticas que afetam de forma transversal todas as faixas etárias da nossa população. Estas alterações, quando não são atempadamente diagnosticadas podem originar dores, défices neurológicos e incapacidade permanente afetando a qualidade de vida dos doentes. Formulamos um conjunto de questões que tem como objetivo aconselhar sobre medidas gerais para cuidar da sua coluna e informar sobre alguns fatores de risco que devem ser tomados em consideração de forma a solicitar ajuda a um médico especialista desta área.
Questões:
1. Quais os principais fatores de risco para os problemas de coluna?
Apesar da crescente preocupação por parte da população mais jovem em praticar exercício físico de forma regular, a obesidade e o sedentarismo continuam a ser fatores importantes para os problemas de coluna. Ambos contribuem para a atrofia muscular e distribuição inadequada do peso corporal, podendo gerar sobrecarga de estruturas como ligamentos, discos intervertebrais ou facetas articulares contribuindo para a sua degradação progressiva. A predisposição genética é outro fator responsável por problemas degenerativos da coluna. Cerca de 70% dos doentes que todos os dias observamos em consulta, referem que os seus familiares mais próximos sofriam destes problemas, sendo um fator de elevado impacto, que só pode ser modificado pela adoção de hábitos de vida saudável. O tabaco é um dos principais fatores modificáveis que se associa a problemas a nível da coluna. Fumar contribui significativamente para a deterioração progressiva do sistema músculo–esquelético e tem um impacto negativo na densidade óssea. Existe uma correlação entre o tabaco e as patologias associadas ao desgaste dos discos intervertebrais da coluna vertebral, que originam problemas como hérnias discais, lombalgias e cervicalgias.
As dores nas costas podem ter várias razões, sendo a atividade laboral uma das causas mais prováveis. Os movimentos automáticos ou repetidos, o número de horas sentado ou em pé, a posição de trabalho e más posturas, podem contribuir para problemas de coluna, podendo gerar dores decorrentes de lesões degenerativas ou traumáticas.
Uma alimentação cuidada e exercício físico são fundamentais para evitar problemas degenerativos coluna. A diminuição de gordura abdominal associada ao reforço muscular
contribuem para a melhoria do bem estar físico, diminuindo o impacto negativo da sobrecarga de músculos e articulações. Uma boa postura é essencial para evitar problemas de dores de costas no local de trabalho. Medidas como estar sentado numa cadeira com apoio de braços ou manter o computador ao mesmo nível dos olhos permite que o pescoço não esteja excessivamente inclinado evitando a sobrecarga da coluna cervical. Nos casos de profissões que exigem uma maior atividade física, aconselha–se intercalar as suas tarefas de forma utilizar diferentes grupos musculares, evitando uma sobrecarga excessiva de determinadas regiões do corpo. As pausas periódicas com alongamentos musculares são medidas que podem ser adotadas de forma a evitar lesões músculo–esqueléticas. Embora a postura seja fundamental para conservar a saúde da sua coluna, as cargas excessivas podem ser prejudiciais e contribuir para a perpetuação destes problemas. Deve procurar uma distribuição uniforme de cargas ao longo do corpo de forma a evitar desequilíbrios enquanto carrega malas e carteiras. No local de trabalho solicite ajuda de um colega sempre que carregue pesos excessivos.
3. Quais são os sinais de alerta para recorrer a um médico especializado na área da coluna vertebral?
Os problemas da coluna afetam 80% da população ao longo da sua vida, sendo normalmente autolimitados com medidas conservadoras como medicação e fisioterapia. No entanto, há um conjunto de fatores de risco que devem ser tidos em conta para procurar ajuda especializada. Dores recorrentes a nível da coluna lombar e cervical que não diminuem após medicação analgésica ou programas de fisioterapia, podem ser sinais de alarme para a presença de lesões severas como instabilidades, infeções ou tumores, exigindo estudos imagiológicos complementares de forma a descartar estas alterações.
O aparecimento de défices neurológicos é um sinal de alarme muito significativo para a presença de problemas graves a nível da coluna que podem exigir tratamentos mais invasivos.
Os doentes devem estar atentos a sinais como perda de força muscular a nível dos membros superiores e inferiores, dificuldades a caminhar exigindo pausas periódicas para completar o seu percurso, alterações da destreza manual, ou perdas de sensibilidade dos braços e pernas acompanhadas de dores. Estes fatores devem ser estudados de forma adequada, uma vez que os problemas degenerativos da coluna podem associar–se a lesões compressivas de estruturas neurológicas como a medula e raízes nervosas, podendo ser necessária uma intervenção cirúrgica para a sua descompressão.
Por fim, ter sempre atenção a dores da coluna após um traumatismo, principalmente nos mais idosos. A coluna, é um dos principais segmentos traumatizados, em impactos de elevada energia, podendo originar lesões neurológicas irreversíveis. Na população geriátrica, uma osteoporose avançada, pode predispor a fraturas da coluna mesmo com uma simples queda. As medidas preventivas são fundamentais, uma vez que estes traumatismos podem ter um elevado impacto na vida dos doentes com a perda da sua autonomia e dores cronicas de difícil resolução.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





