Com o pronunciamento militar de 1974, o governo provisório incorporou o turismo na Secretaria de Estado do Comércio Externo e Turismo e esta na dependência do Ministério da Coordenação Económica.
Em 1976, criou-se o Ministério do Comércio e Turismo, com uma Secretaria de Estado do Turismo, onde se integrou a Direcção de Turismo da Madeira.
Nesse ano, a Madeira passou a ter órgãos autónomos, tornando-se na Região Autónoma da Madeira (RAM) e, face à importância do sector do turismo, o presidente da DTM, então o Eng.º José dos Santos Ribeiro de Andrade, integrou a Junta Governativa e de Desenvolvimento Regional da Madeira, que tomou posse em São Lourenço, a 20 de Fevereiro desse ano de 1976.
Em 1978, transferidas as competências da gestão turística para a RAM, ficou a DTM sob a dependência da Secretaria Regional da Economia, mas mantendo o mesmo titular, que só se aposentou em 1982. Em 1979, extinta a DTM, sucedeu-lhe a Direcção Regional de Turismo, que anexou em 1985 a Direcção Regional da Cultura, até então na área da Educação, formando a Secretaria Regional de Turismo e Cultura.
O Governo Regional da Madeira herdou um edifício que estava em construção no Pico do Arieiro, paralisado e há muito reivindicado, a substituir um casebre que servia de bar para cafés e ponchas no Inverno, sem condições.
A nova secretaria do Turismo pôs em marcha esse projecto, dando continuidade à obra instalando uma pousada e no exterior um café e restaurante para visitantes.
A obra arrastou-se e nos anos oitenta foi concluída quando a tutela era chefiada já por João Carlos Abreu.
Recordo o dia da inauguração: uma sexta feira, final de tarde. Convidados e órgãos de informação estavam concentrados à entrada da porta principal, aguardando a chegada de Alberto João Jardim. O carro negro da presidência do Governo parou debaixo da pala da entrada para deixar Alberto João, que descerrou uma placa comemorativa. Demos entrada para visitar todo o interior.
Seguiram-se os discursos e de seguida, como era habitual, a festa.
Em autêntica cavaqueira com um copo aqui e outro ali somos surpreendidos com o desabamento da pala, onde um horas antes decorrera o descerramento da placa.
Foi um pequeno “terramoto” que nos deixou surpreendidos sem saber o que tinha acontecido.
Alguns minutos mais tarde fomos informados e proibidos de fotografar o incidente. De imediato o entulho foi coberto de toalhas, camuflando o sucedido. A nossa saída e restantes convidados fez-se por outra porta, de regresso ao Funchal.
As obras inauguradas à pressa para cumprir calendários estavam sujeitas a estes acidentes. A laje da placa tinha sido betonada dois ou três dias antes e o escoramento retirado não cumprindo as regras da devida solidificação. O pico do Arieiro atinge temperaturas baixas e o betão esteve nesse dia exposto ao sol e à noite deu-se uma mudança brusca de temperatura, numa altura em que todo o suporte foi retirado.
Ao longo do nosso “apostolado” de repórter assistimos a outro episódio, desta feita em Santana, na inauguração da estrada para a Quinta do Furão.
Como sempre a pressa é inimiga da perfeição. Inauguração marcada para as 17 horas. Ao chegarmos ao local a máquina do alcatrão estendia o tapete e atrás vinha o cilindro. Faltavam ainda alguns metros e a hora aproximava-se.
Foi preciso avisar o presidente AJJ para fazer um compasso de espera no Colmo e assim foi feito.
Trabalhos concluídos, um novo telefonema: pode avançar. O alcatrão ainda deitava vapor. O carro de AJJ “beijou” o novo tapete e a primeira dama saiu do carro mas o salto do sapato perfurou o betão e ficou a senhora ali com o o sapato preso.
O incidente não impediu que a banda tocasse o hino e a inauguração prosseguisse.
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