Memórias: jornalista ocupou suite de Jardim na África do Sul

Vários jornalistas madeirenses saíram da ilha conhecendo as comunidades madeirenses a “reboque” dos governos de Alberto João Jardim, fazendo parte das comitivas. O resto do ano estavam “condenados” a fazer a volta à ilha nas inaugurações e visitas a obras, nos carros que o governo punha à disposição dos órgãos de informação. Costumo dizer que as Redacções da comunicação social nesse tempo eram como corporações de bombeiros sem viaturas. Só a RDP e a RTP tinham transportes próprios.
A historieta que conto hoje passou-se não nas corriqueiras reportagens na Madeira, mas no continente africano, na cidade  de East London, África do Sul, no âmbito de uma visita de Jardim a Moçambique a convite do primeiro-ministro Pascoal Mocumbi, visita essa que se estendeu ao território vizinho da África do Sul.
O episódio teve lugar  no Hotel Holiday in em East London. A comitiva dos jornalistas ficava sempre no mesmo hotel do presidente do governo regional. Chegámos ao aeroporto do Transquei, um bantustão criado pelo governo sul africano antes das eleições democratas de 1994, de etnia xhosa. E seguimos de imediato para o hotel, enquanto o presidente do governo regional da Madeira, na sala VIP, falava à imprensa sul africana.
Na recepção recebemos as chaves e instalámo-nos procurando descansar um pouco, pois o programa seria intenso.
Passado algum tempo apercebemo-nos de um certo reboliço no corredor de acesso aos quartos, com a segurança de Alberto João Jardim surpreendida por um acontecimento imprevisto. Ao entrar no quarto, Jardim deu com um jornalista madeirense praticamente nu, apenas de boxers, deitado no no leito presidencial, deliciando-se com as frutas que tinham sido postas no quarto, como um autêntico Nero.
“O que faz aqui dentro”, perguntou Alberto João Jardim. “Deram-me a chave deste quarto na recepção…”, justificou-se o profissional.
“Vista-se e ponha-se a andar!”, sentenciou AJJ. “Peço desculpa”, lamentou-se, embaraçado, o nosso colega da RDP-Madeira, que não teve outro remédio senão arrumar a trouxa e ir “acampar” para outro lado.
Isto foi tema badalado durante a visita, gerando gargalhadas e servindo de descompressão a uma agenda muito carregada nesta zona do Cabo Oriental onde nasceu Nelson Mandela.
Voltaremos com um novo episódio memorialista numa das próximas crónicas.

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