PTP quer revisão do Programa de Recuperação de Listas Cirúrgicas

O PTP veio expressar a sua preocupação com a revisão do Programa de Recuperação de Listas Cirúrgicas.  “Existem pormenores, de organização e planeamento estratégico, que o actual programa, pela prática demonstrou que a serem agora considerados e corrigidos o beneficiariam”, asseguram os trabalhistas.

“Os serviços de internamento, em dias de PRCs, precisam de mais recursos humanos e o programa deveria incluir essa possibilidade, em regime de trabalho extraordinário. Basta nos serviços de cirurgia, aderentes ao PRCs, que coabitam com outros serviços e por tal partilham recursos humanos, existindo doentes internados que complicam o risco de negligência por ruptura das dotações seguras, aumenta exponencialmente”, refere este partido.

O mesmo preconiza ser necessário reforço de enfermagem, para o acolhimento, integração e preparação pré-operatória, assim como para o acompanhamento de e para o bloco operatório e respectivos cuidados de enfermagem pós-cirúrgicos, que inclui a preparação da alta em dias que o apoio de secretariado não existe, sobrando tal tarefa para a enfermagem.

“Talvez a criação temporária de uma “Unidade Cirúrgica de Recuperação de Listas de Espera Polivalente”, assim como se criou para um problema extraordinário, a unidade de COVID, fosse em termos de planeamento estratégico o ideal, que poderia contribuir para a clara recuperação de listas, sem contudo o programa não interferir com a normalidade dos serviços de internamento, nem com a sua produção semanal cirúrgica, fica condicionado o acesso a doentes admitidos pela urgência por falta de camas, assim como pela mesma razão a produção normal semanal de cirurgias, fortemente condicionada”, prossegue o comunicado desta força política.

“Não podemos admitir enfermeiros e Assistentes Operacionais a sejam sobrecarregados de trabalho em dias de PRCs, que normalmente ocorrem em períodos de fim-de-semana e até feriados, para que o bloco operatório, seja o serviço apenas contemplado em trabalho extraordinário, num programa que até agora se tem mostrado pouco eficiente, no diminuir as listas de espera cirúrgicas, e estatisticamente fácil de se provar tal conclusão, assim como o caos nas urgências por falta de vagas nesses dias nos serviços”, refere-se.

“Existem muitos sinais de que o programa, não está devidamente regulamentado, nem é motivo de monitorização e avaliação, de forma a que o mesmo apenas inclua doentes com esperas crônicas de longa duração, no mesmo não podem ser incluídos utentes em lista de espera recente, nem em situação de atendimento urgente. O programa inclui acordos pouco claros, de um mesmo utente submetido a cirurgia, em que são consideradas efectuadas mais de “uma intervenção da mesma especialidade”, situação nunca detectada em dias de produção normal cirúrgica, do tipo “opere um e pague dois” actos cirúrgicos. Será que o anestesista vai receber a dobrar? “, questiona-se.