Rui Marote
A periferia da cidade do Funchal está cheia de dezenas de caixas de correio actualmente ultrapassadas e sem qualquer uso. Até porque os CTT não têm carteiros para recolher as cartas que seriam supostamente depositadas nessas caixas. Em algumas delas ainda se lê: “Última hora, 13 horas”. Mas isso nos nossos dias é ficção. Já para receber uma carta ou encomenda na residência é preciso esperar, esperar e orar aos santos.
Enviar uma carta física nos dias de hoje é um gesto que não está ultrapassado, pois tem até mais significado do que antigamente, quando todos os faziam porque não tinham melhor alternativa de comunicação. Mas hoje o munto entrou totalmente na era do digital. O telemóvel e o email são ferramentas utilizadas por quase todas as pessoas.
Assim, o correio tradicional em papel foi largamente substituído. Como resultado, o Funchal “enferma” de dezenas de caixas de correio expostas em bairros sociais ou outras localidades. Santo Amaro, Caminho de Santo António, Bairro do Hospital, Caminho dos Ilhéus, em passeios e esquinas, estas velhas caixas já nem são relíquias: são quinquilharia velha, que acumula lixo e só contribui para degradar o espaço urbano.
Além do mais, há empresas de entregas (como DPD, DHL, ou Amazon, além dos CTT) que se encarregam de levar encomendas directamente às mãos dos moradores.
Estepilha, noutros tempos o povo usava a expressão “Levar uma carta a Garcia” e nem sabia o sentido e a interpretação. Significa aceitar e cumprir uma missão difícil de forma autónoma e sem questionamento.
A expressão tem origem num ensaio de 1899 escrito pelo jornalista norte-americano Elbert Hubbard durante a guerra Hispano-Americana. O presidente dos EUA precisou de enviar uma mensagem urgente ao líder rebelde cubano General Calixto Garcia, que estava escondido algures nas montanhas de Cuba. O oficial Andrew Rowan foi encarregado da tarefa. O oficial não colocou dificuldades: pegou na carta, atravessou um território inimigo e entregou a mensagem.
No tempo do nosso serviço militar em Moçambique estivemos na Chefia do Serviço Postal Militar. Pelas nossas mãos passaram digo milhões de aerogramas… Quando detectávamos aerogramas sem endereço da companhia ou batalhão, a expressão não era “Carta a Garcia, era “uma Carta para a Prima” e tinha como destino o refugo…
Estepilha, mas voltando às obsoletas caixas de correio, compete ao Munícipio informar os CTT para retirar esses “brinquedos” velhos, que já nem peças de museu são.
Aproveitamos este nosso alerta de “limpeza” para chamar mais uma vez a atenção que pela cidade existem estruturas de ferro de partidos que utilizam para propaganda eleitoral e que se eternizam na via pública, aguardando um novo acto eleitoral como que aquele espaço fosse propriedade dos partidos políticos.
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