Estepilha: ai que saudades dos jardins floridos…

Rui Marote
O projecto original da Praça do Povo pretendia devolver o mar aos funchalenses após a tragédia de 2010, transformando o entulho num tapete florido que contrastasse com o azul do Atlântico.
Inaugurado em Novembro de 2014, o espaço nasceu sobre o aterro das enxurradas de 20 de Fevereiro. O plano paisagístico inicial incluía longas linhas de flores anuais — que exigiam substituições constantes — para criar um impacto visual imediato de regeneração e vida. Enquanto a Praça esteve sob a alçada da vice presidência, no tempo das vacas gordas, uma empresa privada estava contratada para manter os jardins conforme o que imagem nos oferece. “Ai que saudades eu tenho linda Madeira. Ver o Funchal outra vez, quem me dera”, é o que apetece dizer, relembrando a antiga canção.
Hoje logo ao abrirem pela manhã as portas da Assembleia Legislativa da Madeira visitámos a exposição fotográfica 50 Anos de Autonomia Regional 1976-2026 patente nos passos perdidos do  Parlamento Regional. Na altura fomos obsequiados com um livro que assinala esta efeméride. Ao folhear esta obra e já no cais do Funchal chamou-nos atenção a primeira foto que ilustra esse documento: o edifício da Casa da Autonomia enquadrado da Praça do Povo (ver foto).
E logo não resistimos, pensando: isto dá um “Estepilha”,  secção irónica e crítica quase diária do  Funchal Notícias  que usa a expressão  da linguagem popular madeirense. (Hoje já outros a utilizam em produtos culinários como molhos picantes, o primeiro órgão de comunicação madeirense exclusivamente digital não registou esta “patente” dos falares da ilha..).
Pois é, Estepilha, se o que lhe bateu foi a saudade da nossa “ilha linda sempre florida”, hoje a imagem é outra, predominando o cinzento e o verde. Para preencher os jardins qualquer dia temos mais plantas “tromba de  elefante” Agave attenuata…
Recordamos os nossos irmãos porto-santenses e a velha piada: se na ilha dá para plantar isto e aquilo, ao que um porto-santense respondia sempre que sim. Quando se lhe perguntava porque então não se via nada a crescer, ele respondia: “É preciso plantar”…

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