ARAE diz não ter detectado práticas especulativas no preço dos alimentos

foto arquivo

A Autoridade Regional das Actividades Económicas (ARAE), emitiu um comunicado no qual dá conta de que tem recebido diversas reclamações sobre o preço dos
produtos de consumo, particularmente dos géneros alimentícios.

“Trata-se de uma situação recorrente, particularmente durante o período da pandemia e mais recentemente agravada pelo conflito bélico na Ucrânia”, assegura.

Perante tais situações, a ARAE tem vindo a monitorizar, junto dos operadores económicos regionais, a evolução dos preços dos produtos à venda ao consumidor. Em Julho do corrente ano colocou no terreno um plano
operacional, visando apurar junto das grandes superfícies na Região, a
eventual existência de práticas que possam distorcer o mercado e prejudicar os
consumidores.

Para o efeito foi seleccionada uma série de produtos alimentares retirados do cabaz de sobrevivência conforme definido pela Direcção Geral da Saúde, e comparado o seu preço de venda ao público face ao seu custo de aquisição.

“Sem prejuízo da conclusão do referido plano, cuja divulgação se prevê
para as próximas semanas, sempre se adiantará que se verificou uma subida
generalizada dos preços dos bens alimentares selecionados desde 1 de Janeiro de
2022. Verificou-se ainda que a subida do preço de venda a retalho ao público
acompanha a subida de preço do custo de aquisição desse produto pelas
superfícies aos fornecedores. Todavia, confrontados com os custos operacionais e de aquisição dos produtos seleccionados, salvo escassas excepções, o lucro bruto
unitário diminuiu”, assegura a ARAE.

“Foi igualmente possível apurar que a subida de preços, de forma generalizada, está associada à subida nos custos com matérias primas/bens intermediários e ainda com os custos energéticos, sendo que neste mercado as empresas continuam a minguar as suas margens para acomodar a subida dos
custos”, refere-se. ”

“Este facto é confirmado pelos dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, onde se verifica que, apesar de se manter a forte
influência da evolução dos preços da energia e dos bens intermédios, e mesmo
com a taxa de inflação média, medida pelo índice harmonizado de preços no
consumidor, acumulando uma subida de 7 por cento face ao valor médio de 2021, este ano de 2022 as empresas passaram, em média, pouco mais de um terço (35%) da subida dos custos das suas operações para o consumidor. Efectivamente, quando os preços dos bens aumentam no produtor, geralmente acabam por transmitir pelo menos uma parte desses aumentos para os consumidores, através de uma subida no preço final dos bens

Tem-se assistido a isto um pouco por todo o mundio, com a inflação a registar valores recorde. Das diligências tomadas por esta Autoridade não foram detectadas até à data, nos operadores fiscalizados na Região, quaisquer operações que
consubstanciam delitos antieconómicos, nos termos previstos no Decreto-Lei
28184, de 20 de Janeiro (práticas especulativas)”, refere a ARAE, garantindo que  irá continuar as suas diligências de fiscalização do mercado
relativamente a esta matéria.