Estepilha: o quinteto era de cordas…

Rui Marote
Ao abrir o baú das recordações, deparei com mais um “tesourinho” que me lembrou o famoso filme de comédia “O Quinteto era de cordas”, antigamente tão exibido. Mas isto não se trata de comédia, mas de uma “orquestra” que se juntou, tocando afinado para um “assalto” que tinha como letra: “Vamos dar a volta a isto!”. E afirmava-se: “Agora sim damos a volta a isto! Agora sim há pernas para andar! Agora sim eu  sinto optimismo! Vamos em frente, ninguém nos vai parar!”
Este autocolante foi cartaz de campanha eleitoral eleições regionais de 1992: só dois bandolins receberam votos para fazer parte da “orquestra sinfónica da Assembleia” Nem o baile da meia volta chegou para dar a volta a isto…
Os músicos tinham currículo, mas foram engolidos por uma maioria que nem precisava de pauta para interpretar qualquer peça, porque sabia a música de cor.
Deste quinteto só dois “sobrevivem”: um promovido a “maestro”, com tarimba ao longo destes anos, e que vem regendo a orquestra, surpreendendo o público.
O outro músico põe frequentemente a boca no trombone tentando substituir um ex-músico laranja na reforma, o mais conhecido por muito barulho fazer no parlamento.
Agora há também uma outra executante de músicas latinas, especialista em salsa, rumba, merengue e cha-cha-cha.
Na altura ninguém valorizou este quinteto. Bem que nos antigos leilões, face às ofertas baixas, o leiloeiro insistia “valoriza as peças”! Mas ninguém o fez…