Carta aberta a D. Rino Fisichello: “Grazie Mille!”

O O O Bispo da Diocese do Funchal foi além, sonhou alto e trouxe à Madeira um dos homens de confiança do renovador Papa Francisco. Diretamente do Vaticano para a Igreja do Colégio, para falar ao coração de dezenas de leigos que, na simplicidade e discrição das suas vidas, servem de múltiplas formas a igreja, tantas vezes com sacrifício da sua vida pessoal.

Mais do que os títulos de D. Rino Fisichello, o que me tocou foi a certeza de que, quem crê em Cristo, tem razões de sobra para viver com Esperança. O que me interpelou foram os caminhos – vários – que desenhou aos leigos para levar o Amor de Deus a todos, crentes e não crentes. Os momentos de debate mostraram um homem do Vaticano não cinzento, não doutrinal, que julga e crucifica, mas alguém que sabe acolher, que tem o papel de vislumbrar os novos horizontes da evangelização num mundo laico, com um coração de carne. Um homem que pede a unidade do povo de Deus, que encara os leigos como uma orquestra onde cada instrumento que é tocado não é superior a nenhum outro mas forma a bela sinfonia que é levar Cristo a todos.

Sim, D. Rino, não é fácil ser “Cristóforo” como nos pede – hoje, com tantos deuses nas nossas estradas também do Funchal que, sim, preferem ver a sua imagem refletida, do que a do Deus encarnado. Mas, mesmo na lama das ofensas ou injúrias, dos ciúmes e coisinhas pequenas, é preciso pôr o olhar no Alto e levar o “Deus desconhecido” a todos. Como? Com menos paleio, menos argumentos pomposos e falaciosos do género “faz o que eu digo e não o que eu faço”, mas com o nosso testemunho de vida e de Caridade. Mais silêncio, como nos pediu, e mais obra no terreno, com os pobres, sedentos de Amor. É verdade, D. Rino! Compromisso, serviço no terreno, mesmo com pandemia. Porque, quem é tocado pelo amor de Deus, não pode voltar a vestir a roupa velha, nasce de novo, é levado pelo fogo do Espírito Santo a anunciar esse Amor. Não aquele amor, que tão metaforicamente nos falou na Igreja do Colégio, de “um fim de semana de paixão” e que depois se esvazia com a rotina ou outras seduções da moda; não um amor que dá e pede muito em troca; não o amor narcísico, de uma ignorância soberana e que tende a anular o outro como se estas coisas de Deus fossem tão absurdas e abstratas que não vale a pena sequer as mencionar; mas sim, aquele Amor que é gratuito, que nos fortalece na caminhada, que nos segura na tribulação, que nos enche de fortaleza e que nos leva a olhar os irmãos, mesmo aqueles que nos ofendem, com o olhar da ternura que teve Jesus quando pediu que se perdoasse setenta vezes sete.

Valeu a pena escutá-lo! Se soubesse quantas perguntas – incómodas – tinha à mão com sede de esclarecimento nesta história muito séria da participação dos leigos na igreja… Tive de conter-me. Fechar os lábios para escutar mais e falar menos. Sabe, Sr Rino, eu não quero ser mais um vaso que compõe uma plateia e marcar o ponto em qualquer assembleia. Antes de pôr lá os pés, oro, sim oro, para que o Espírito Santo – tão desconhecido, hoje – ilumine os oradores e a nós participantes e nos dê olhos e ouvidos espirituais. Não gosto de perder tempo. E saio de lá, com a consciência de que não perdi um segundo do meu tempo. Assim aconteceu esta semana. Regresso a casa – onde me espera a espiral de tarefas normais de uma mãe de família e profissional – cantando e louvando ao Espirito Santo por esta graça de o escutar. Queria mais debate. Queria os papéis postos de parte e escutar mais ainda essa voz da experiência, da caridade, que segura a mão dos carenciados, num testemunho vivo de Fé, como tão bem partilhou. A nova evangelização, Dom Rino, permita-me que lhe diga, está no sorriso, no acolhimento, na mão que nos segura e nos abraça, quando as nuvens tocam as vidas de cada um. Também eu posso dizer que tenho tido a graça de Deus de encontrar Pessoas verdadeiramente evangelizadoras que me fazem acreditar no Amor de Deus e que mudaram a minha vida.

Ao Bispo do Funchal, que o trouxe, com discrição mas firmeza, e que foi o tradutor incansável das sessões, “bem haja”. Ao D. Rino, “Grazie Mille” e que o Espírito Santo o guie e lhe dê sabedoria divina para desenhar e levar ao terreno, com esse coração humilde de nunca julgar mas apontar caminhos, o melhor “euromilhões” que se pode ganhar: Jesus está Vivo e Ama-nos a Todos!


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