Conforme o FN já fez referência, as teorias governamentais favoráveis à aquacultura na Região e à dita “economia azul” estarão em foco em breve no Funchal. E serão discutidas e amplificadas, na sua visão positiva, numa escala considerável, que pouca importância, certamente, dará aos detractores desta actividade na Madeira. É que a conferência anual do corrente ano da Sociedade Europeia de Aquacultura (EAS) – “Aquaculture Europe 2021” realiza-se nesta cidade, de 4 a 7 de Outubro, no Pestana Casino Park Hotel e no Centro de Congressos.
Tendo como lema de conferência “Um mar de oportunidades” a EAS2021 é o maior evento científico e técnico que acontece na Europa nesta área, assegura nota da organização. A candidatura bem sucedida a esta conferência juntou uma alargada plataforma de centros de investigação, universidades e empresas portuguesas e conta com o apoio do Governo da República, do Governo Regional da Madeira, da Associação de Promoção da Madeira e da ARDITI.
A cerimónia de abertura decorrerá no dia 4 de Outubro pelas 18 horas no Pestana Casino Park Hotel, com a presença do presidente do Governo Regional da Madeira e do secretário regional do Mar e Pescas. Já o encerramento, no dia 7, registará a presença do Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos.
Nesta conferência serão apresentadas 855 comunicações, todas alegadamente científicas (449 das quais orais) em 7 a 8 sessões simultâneas nos dias 5, 6 e 7 de Outubro. Associada à conferência, há um programa de lazer para os delegados. O evento está a ser divulgado no site da EAS, em jornais e revistas de especialidade e em órgãos de comunicação generalista.
É, assegura-se, um evento que divulga Portugal e a Madeira, “como promotores da investigação e da ciência, da indústria de produção de aquacultura e ainda, promove o turismo”.
Participam 1200 pessoas. “No entanto”, afirma-se orgulhosamente, “o número de visitantes ao destino devido ao evento é superior, pois muitos dos delegados vêm acompanhados de outras pessoas e ficam mais alguns dias para além das datas de conferência”. E no programa social, os participantes deverão divertir-se com “programas de cruzeiro costeiro” e “actividades de natureza por empresas ligadas a mergulhos subaquático, observação de cetáceos e passeios na Natureza”. Curiosamente, actividades das quais surgem queixas relativamente à aquacultura. Recorde-se, por exemplo, o caso da Ponta do Sol, município que recentemente recusou taxativamente a aquacultura, considerando que a mesma tem um impacto visual negativo no turismo, e que, por proibir a navegação e prática de pesca nas imediações das jaulas onde se criam peixes, prejudica ou condiciona “desde os catamarãs, que realizam viagens em busca de paisagens fantásticas e da observação de golfinhos, aos pescadores locais, que lutam pela sua subsistência, ou os pescadores desportivos, que procuram momentos de lazer e de descontracção”.
Por outro lado, há pesquisas, como a de Becca Franks, do Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Nova Iorque, que indicam que produção em massa na aquacultura carece de informações sobre o bem-estar animal para centenas de espécies de animais aquáticos cultivados em todo o mundo. A expansão da aquacultura, salienta-se, levanta preocupações de que a indústria esteja avançando sem conhecimento suficiente da vida animal que está crescendo, existindo operações e decisões pouco fundamentadas cientificamente, que podem supostamente levar a más condições de vida e sofrimento para os animais individuais.
Por outro lado, não falta quem aponte que os peixes vivem comprimentos em condições pouco naturais propícias à propagação de doenças e parasitas que podem acabar por contaminar populações de peixes selvagens.
Entretanto, na feira industrial associada à conferência no Funchal participarão cerca de 100 empresas e outras instituições.
“É uma grande oportunidade para as empresas nacionais e regionais ligadas à produção de aquacultura e para as empresas fornecedoras de bens e serviços tomarem o pulso das novas tecnologias e novos produtos que possam melhorar a produção e o negócio das suas empresas”, afirma-se, num comunicado. Que prossegue exaltando a “oportunidade de excelência” para os “investigadores e centros de ciência portugueses contactarem e trocaram experiências com investigadores de topo de toda a Europa e de outras origens”.
A investigação em aquacultura, diz-se, inclui áreas de ciência ligadas à biologia e fisiologia das espécies aquáticas, áreas de zootecnia, nutrição, ambiental, etc. e muitas outras das áreas tecnológicas, desde o software ao desenho e engenharia de equipamentos.
Carlos Andrade, presidente da Comissão Organizadora, afirma que esta conferência suscita o interesse de investigadores, da indústria em geral e de estudantes, revestindo-se de grande interesse.
“A aquacultura toma cada vez mais um lugar muito forte na produção primária nos países da União Europeia. A Madeira inclui-se nas regiões com alguma produção em aquacultura, e a realização, este ano, da conferência na RAM vem reconhecer o trabalho que tem sido cá realizado, e também em Portugal”, salienta.
Neste evento, revela, serão também apresentadas comunicações científicas por investigadores da Região Autónoma da Madeira.
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