Ilhéu Grande da Pontinha recupera muralha

Rui Marote
No local onde funciona o Design Centre, da conceituada artista e designer de interiores madeirense Nini Andrade Silva, que inclui área de exposições e um restaurante, a muralha está a ser recuperada. A vista é uma das mais privilegiadas para o Funchal. Permite apreciar toda a baía e o anfiteatro característicos da cidade.
A muralha do lado nascente é, no entanto, um autentico pombal, albergando nos buracos intervalados das pedras de cantaria da muralha os ninhos dos columbídeos e a invasão de plantas,  que vão desagregando as pedras e colocando em perigo peões e veículos.
Apesar de mais de um ano sem navios de cruzeiro a APRAM não cruzou os braços, tendo feito um esforço financeiro para recuperar muitas anomalias no cais sul. Salientamos o reforço em toda a extensão do porto de novos cabeços.
No cais norte está em curso uma  gare marítima uma lacuna há muita desejada. Só nos resta esperar que este interregno esteja a chegar ao fim e em breve possamos deixar de ver um porto deserto, para o vermos de novo com vida.
A fortaleza do Ilhéu, também conhecida como Forte de Nossa Senhora da Conceição, no chamado Ilhéu Grande, na Pontinha, surgiu para melhorar a defesa do Funchal e do comércio no porto de ataques de piratas.
A necessidade de construção de uma fortaleza existia desde meados do século XVI, mas só 100 anos mais tarde, em 1654, as obras avançaram de facto, com uma planta da autoria de Bartolomeu João, mestre-de-obras-reais. A fortaleza, inicialmente circular, funcionava como registo da entrada de embarcações no porto do Funchal.

Em 1670 a guarnição da fortaleza pediu a a construção de uma capela, que foi edificada junto com uma cisterna em 1687. Em 1703 foi determinado que se desse uma nova forma ao forte, para albergar mais peças de artilharia.

Em meados do século XIX, foram feitos melhoramentos e foi construído um grande paiol e instalado um guindaste. No final do século, fez-se a ampliação da muralha do porto liga o ilhéu à Madeira. E já no século XX, com as obras de ampliação do porto, entre 1934 e 1939, o interior do ilhéu seria perfurado, ficando um túnel que ainda hoje permite o acesso ao restante molhe.

Na década de 1950 o forte foi ocupado pelas transmissões militares que ampliaram alguns dos edifícios existentes, as casernas e o edifício do comando, função que cessa a meio da década de 1970, marcando o fim do longo percurso militar da fortaleza.

Em 1992 o edifício foi entregue à Região Autónoma da Madeira que lançou um projecto de recuperação da autoria do arquitecto José Luís Meneses, vencedor do prémio de Recuperação do Património, da Câmara do Funchal, em 1998.

Nessa altura funcionou ali um restaurante, o primeiro de vários conceitos para explorar o espaço, entre restaurantes e espaços de diversão nocturna.

A mais recente obra de reabilitação deixou o ilhéu com o aspecto que tem hoje. Parte das fases anteriores da construção foram preservadas.