Em 6 horas, choveram esta noite mais 20 litros por m2 do que no 20 de Fevereiro de 2010

O vice-presidente do Governo Regional da Madeira efectuou hoje uma ronda por diversos locais, na companhia do secretário regional dos Equipamentos e Infraestruturas, Pedro Fino, procurando inteirar-se das consequências do temporal que se abateu sobre a Madeira nos últimos dois dias. Pedro Calado e Pedro Fino procuraram avaliar o comportamento das ribeiras do Funchal, nomeadamente a de Santa Luzia, João Gomes e São João, as quais atravessam por completo a cidade.

Pedro Calado mencionou um sistema de controle de aluviões que foi implementado e que permite ao Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC) controlar o caudal de água das ribeiras em tempo real. A sua perspectiva é de o comportamento das ribeiras foi positivo, o que vem reforçar afirmou, a natureza positiva do “grande investimento” que tem sido feito nas mesmas.

“Muitas vezes estes investimentos não são muito visíveis, mas tornam-se essenciais quando temos um temporal” desta grandeza, sublinhou.

“Num espaço de seis horas, choveu esta noite mais 20 litros por metro quadrado do que choveu na altura do 20 de Fevereiro”, afirmou. “Tivemos 136 litros por metro quadrado agora, quase 23 litros a mais por metro quadrado do que aconteceu a 20 de Fevereiro de 2010”. Não houve, nas ribeiras, situações que fizessem perigar a segurança das populações, pelo que se congratulou por esse facto. Adiantou que o Governo Regional, ao longo deste ano, gastará mais 30 milhões de euros na consolidação de escarpas e nas estruturas de suporte de ribeiras.

Na ocasião, Calado garantiu também a solidariedade com as autarquias que o necessitem, mas insistiu na necessidade de, mais do que na resolução dos problemas, na sua prevenção, numa ilha onde existem muitos declives.

Admitiu problemas no Ribeiro da Nora, em Santa Maria Maior, de caudal estreito e que exige uma intervenção, sobretudo na zona mais baixa de Santa Maria Maior. “É uma situação que tem que ser resolvida”, referiu. Também em São Martinho há casos em que tem de ser revista a situação.

Citou, por outro lado, como um mau exemplo a Estrada Monumental, e a zona da Ponte do Ribeiro Seco, considerando que existe ali um afunilamento e a construção de obstáculos que fazem com que a água fique retida, causando alagamento. As autarquias devem “prestar cada vez mais atenção a estes avisos de mau tempo”, procurando agir em tempo útil para desimpedir sistemas de escoamento água.

A tempestade eléctrica que passou sobre a região resultou numa quantidade incrível de descargas eléctricas, da ordem das 28 mil, sobretudo na Calheta e no Palheiro Ferreiro. Os raios que caíram acabaram por danificar múltiplos equipamentos da Empresa da Electricidade, que causaram cortes sucessivos no fornecimento de energia.