Livros de Viale Moutinho surgem em traduções alemã e castelhana

O escritor José Viale Moutinho, nascido no Funchal, em 1945, continua bastante activo, como habitualmente. Ainda recentemente entraram em circulação traduções suas em alemão e castelhano, em Leipzig e em Madrid. Na Alemanha, trata-se de uma antologia, intitulada Die Flote desToten (A Flauta dos Mortos), escolha de poemas, tradução e prefácio da ensaísta austríaca Ilse Pollack, conhecida especialista em Literatura Portuguesa. A chancela é da Leipziger Literaturverlag, e o livro tem cerca de duas centenas de páginas.

Nesta editora foram já publicados, nos últimos anos, obras de Yvette K. Centeno, Manuel Alegre, Jorge de Sena, Herberto Hélder, Fernando Pessoa, Hélia Correia e Maria Velho da Costa, bem como autores de outros países, esclareça-se.

Entretanto, nas Ediciones Vitruvio, de Madrid, em tradução castelhana do poeta Ricardo Martinez Conde, e com uma autopoética do autor, saiu a colectânea inédita em português, En causa propia (Em causa própria). A Colección Baños del Carmen, de que este livro de Viale Moutinho é o número 713, inclui nomes como Neruda, Ángel González, Pere Gimferrer, Gil de Biedma, Trackl, Lorca e Antonio Machado, bem como Pessoa.

O autor, que residiu na Madeira e deu um contributo bastante activo para a vida cultural regional, aquando da sua estada por cá, há alguns, anos, recentemente reuniu toda a sua produção poética de éditos e inéditos em Os Cimentos da Noite (1975-2018), nas Edições Afrontamento, do Porto, onde hoje reside. Tem grande parte da sua obra também traduzida em russo, húngaro, italiano, búlgaro, galego, asturiano, catalão, braille e editada no Brasil.

Também no final do ano passado, Viale Moutinho lançou uma interessante colectânea, “Contos Populares e Lendas das Ilhas da Madeira e Porto Santo”. Na “Cadmus”, esta obra de 269 páginas reúne, juntamente com várias ilustrações, histórias tradicionais originárias do Funchal, Calheta, Câmara de Lobos, Machico, Ponta do Sol, Porto Moniz, Ribeira Brava, São Vicente, Santa Cruz, Santana e até relativas às ilhas Selvagens. Um trabalho de interesse etnográfico que, na prosa inconfundível do autor, nos vem traduzir os a tradição oral do passado em recriação literária que cativa, educa e entretém.