Iniciativa Liberal recusa aproximação ao Chega e ironiza com perspectiva de Albuquerque sobre o tema

“Há passeios, que nem para ir ver se está a chover”. Desta forma irónica, a Iniciativa Liberal comenta as declarações de Miguel Albuquerque, admitindo uma aproximação ao partido Chega, depois de Rui Rio, líder nacional social-democrata, admitir o mesmo, caso este partido de extrema-direita flexibilize a sua posição.

“No que toca ao Iniciativa Liberal, referida na entrevista, sabemos do nosso caminho que vemos como uma maratona e não como uma prova de velocidade. Não gostamos de atalhos e muito menos quando estes são ínvios e de resultado mais do que duvidoso. Recusamos cair na armadilha populista de alhos por bugalhos, venha isso de onde vier. Abominamos totalitarismos e extremismos. Sejam eles de esquerda ou de direita”, refere a IL, respondendo às insinuações de Albuquerque de que a direita tem de abandonar os complexos e coligar-se pois, do outro lado, há uma esquerda de todas as tendências, desde os “trotskistas” aos “que apoiam regimes como os da Coreia do Norte”

Citando Carlos Guimarães Pinto, a IL considera que “à direita o que desperta paixões hoje em dia é a conversa de salão de festas sobre a defesa dos valores e o futuro da civilização ocidental (…) mesmo que cada vez disfarcem pior o seu apego por quem tem discursos autoritários e intolerantes, opostos aos que sempre foram os valores da sociedade ocidental. Respondem ao perigoso identitarismo das minorias à esquerda com o ainda mais perigoso identitarismo da maioria. Respondem ao ridículo do politicamente correcto com um ainda mais ridículo politicamente javardo. Aproveitam qualquer desculpa para fazer discursos inflamados contra os grupos mais pobres e excluídos da sociedade, satisfazem-se na sua covardia de bater nos mais fracos socorrendo-se do argumento indigente de que é isso que chateia a esquerda. Perante um problema grave de mobilidade social e estagnação, tudo o que a direita parece ter para oferecer é o mesmo que a esquerda, uma guerra identitária: atirar pobres de um grupo contra pobres de outro grupo, esperando que enquanto se entretêm a lutar uns com os outros não tentam perceber onde está a verdadeira causa da sua pobreza.”

E é esta a direita que o Presidente do PSD Madeira tem para oferecer, refere a Iniciativa Liberal, esclarecendo: “A nossa direita é outra. Uma direita com pouco estado, uma direita que acredita no estado de direito, uma direita contra as decisões arbitrárias e discricionárias, uma direita de liberdade, uma direita do mercado, uma direita contra o nepotismo e o amiguismo partidário. Não é esta direita que o PSD e o Chega têm para oferecer, conclui o partido.

“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Populismo? Não, obrigado!”, termina esta força política, não sem algum sentido de humor.