Ireneu Barreto escreve ao Ministro dos Negócios Estrangeiros por causa da situação da RAM face ao Reino Unido

O representante da República para a Região Autónoma da Madeira, Ireneu Barreto, enviou hoje uma carta ao Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, manifestando-lhe a sua “enorme preocupação” com a possibilidade de o “Governo do Reino Unido poder excluir Portugal da lista, cuja publicitação estará iminente, dos países para os quais os súbditos britânicos podem viajar sem terem de se sujeitar a uma quarentena obrigatória no regresso àquele país”.

“É bem sabido que, fruto de uma acção concertada e determinada de combate à pandemia da COVID-19 pelas autoridades públicas e por toda a comunidade, Portugal e, em particular, a Região Autónoma da Madeira, conseguiram conter a disseminação da doença e evitar a proliferação de focos de contágio comunitário”, diz Ireneu Barreto. O representante esclarece que esta é a única região do País em que a doença não provocou quaisquer óbitos até à data, na qual o número de cidadãos infectados se resumiu a algumas dezenas de casos e onde nunca houve qualquer foco de contágio comunitário activo.

“No momento em que regressa gradualmente a normalidade possível, e os transportes aéreos e marítimos entre a Região e o exterior retomam a regularidade, será desejável e merecido que estes bons resultados no combate à pandemia possam ser destacados, conferindo à Madeira a qualidade de destino seguro para todos os muitos turistas que nos visitam, e dos quais a economia local tanto precisa”, salienta o magistrado.

Ireneu Barreto refere ter recebido “notícias insistentes, ainda que por vezes contraditórias”, dando conta de que Portugal poderá ser excluído da supracitada lista elaborada pelo Governo da Grã-Bretanha. No seu entender, trata-se de uma exclusão, que, a acontecer, “é grave e imerecida” em geral mas que traduzir-se-á principalmente “num imenso prejuízo para as regiões portuguesas, como a Madeira e Porto Santo, nas quais a indústria turística é a principal actividade económica”.

“É importante salientar que o Turismo representa cerca de 25% do PIB regional, e que os visitantes do Reino Unido são uma das três origens mais importantes dos turistas que viajam para a Região Autónoma da Madeira anualmente, pelo que bem compreenderá Vossa Excelência os devastadores efeitos que uma decisão de excluir Portugal e a Madeira do “corredor aéreo” com o Reino Unido terá na recuperação da economia desta Região insular e ultraperiférica”, salienta Ireneu Barreto ao Ministro.

Por isso, pede a esta entidade governamental que, junto das autoridades do Reino Unido, desenvolva um esforço para sublinhar “que a Região Autónoma da Madeira é um destino seguro para os nacionais britânicos”.

“Sobre esta mesma questão, solicitei a melhor atenção da Senhora Cônsul Honorária do Reino Unido na Madeira”, dá ainda conta o representante da República.